Rio de Janeiro, 22 de Abril de 2026

Equador declara estado de emergência em Napo após protestos

Quarta, 22 de Fevereiro de 2006 às 06:46, por: CdB

O Equador declarou estado de emergência na província amazônica de Napo, desde terça-feira, depois de soldados terem disparado contra manifestantes que ocupavam uma estação de bombeamento de petróleo. O estado de emergência proíbe a realização de passeatas e protestos na Província.

Líderes das manifestações e um médico de um hospital contaram que ao menos três pessoas foram feridas pelos tiros. Cerca de 600 manifestantes ocupavam a estação de bombeamento de Sardina, localizada cerca de 90 quilômetros a leste de Quito.

- Não permitiremos que ninguém danifique instalações da infra-estrutura pública -
 afirmou José Modesto Apolo, secretário-geral do governo.

Segundo Modesto Apolo, a ocupação tinha de acabar antes da qualquer tipo de diálogo com os manifestantes.

Um porta-voz das Forças Armadas não quis fazer comentários sobre a situação, mas canais de TV mostraram imagens dos soldados disparando contra dezenas de manifestantes armados com pedras. Também foram mostradas imagens de manifestantes feridos dentro de um hospital. Os ativistas exigem que o governo gaste mais de 100 milhões de dólares na região, construindo estradas, pontes e um novo aeroporto.

- Queremos que o governo fale com a gente porque esta situação está saindo do controle. Não demos ordens para as pessoas invadirem essa estação de bombeamento-  afirmou à agëncia Reuters Julio Perez, um porta-voz dos manifestantes.

"O (oleoduto) OCP suspendeu suas operações depois de manifestantes terem invadido a estação de Sardina", confirmou em comunicado um porta-voz da empresa responsável pelo oleoduto, de propriedade de várias empresas equatorianas e estrangeiras.

O Equador é o quinto maior exportador de petróleo da América Latina, com uma produção de cerca de 530 mil barris por dia. O oleoduto pode transportar 450 mil barris por dia, mas, no momento em que foi fechado, apresentava uma vazão de 160 mil barris por dia.

Segundo um porta-voz da polícia, centenas de manifestantes também se concentravam do lado de fora da estação de bombeamento de Baeza, de propriedade da Petroecuador, a empresa estatal de petróleo. A polícia enviou para a área cerca de 300 homens a fim de proteger as instalações petrolíferas e um contingente ainda maior pode ser mobilizado caso a violência aumente, disse o porta-voz da polícia.

Na segunda-feira, os manifestantes danificaram uma outra estação de bombeamento de propriedade da Petroecuador, obrigando a empresa a fechar seu principal oleoduto e a suspender as exportações por várias horas.

As negociações entre o governo e os manifestantes foram interrompidas na noite de terça-feira, depois de autoridades terem se recusado a atender aos ativistas antes da suspensão de uma greve geral. O ministro equatoriano do Interior, Alfredo Castillo, principal negociador do governo, deve se reunir com o presidente do país, Alfredo Palacio, a fim de discutir uma forma de acabar com os protestos.

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