Rio de Janeiro, 21 de Abril de 2026

Equador declara emergência com greve de trabalhadores

Quarta, 08 de Março de 2006 às 07:13, por: CdB

O Equador decretou estado de emergência em três províncias desde terça-feira após a greve de 4.000 trabalhadores ter diminuído a produção da estatal Petroecuador. A empresa avisou que pode suspender todas as atividades nesta quarta-feira.

A produção da Petroecuador caiu 34 por cento, para 132 mil barris de petróleo por dia, depois de trabalhadores subcontratados de duas províncias amazônicas terem suspendido suas atividades para exigir cargos de tempo integral e protestar contra os termos do contrato de trabalho, disse um dirigente da empresa.

- Um estado de emergência foi decretado nas províncias de Napo, Orellana e Sucumbios -  afirmou Enrique Proano, porta-voz do presidente do país.

Em um estado de emergência, ficam limitados os direitos constitucionais tais como a liberdade de associação e o direito de realizar manifestações públicas. A greve atual é o capítulo mais recente da história de problemas que atinge o setor petrolífero do país. No mês passado, manifestantes paralisaram a produção depois de fechar por um curto período de tempo dois oleodutos a fim de exigir uma fatia mais justa dos rendimentos obtidos pelo país com o petróleo.

A Petroecuador advertiu que sua produção pode ser totalmente paralisada até quarta-feira se a greve não for suspensa.

"Estimamos que as perdas acumuladas na produção vão chegar a 197.545 barris até as 6h da quarta-feira (8h em Brasília), o que equivale a 9,8 milhões de dólares e pode significar a paralisação total das atividades da empresa", disse a estatal em um comunicado.

O Equador, quinto maior produtor de petróleo da América do Sul, costuma produzir 530 mil barris de petróleo por dia. A Petroecuador responde por uma média de 200 mil desses barris.

Os problemas no setor petrolífero do país abalaram os mercados, já nervosos devido à insegurança no suprimento mundial do combustível.

Um líder dos trabalhadores contratados, Remigio Sornoza, disse que estavam sendo realizadas negociações com os dirigentes da Petroecuador. Em seu comunicado, a estatal afirmou dever cerca de 51 milhões de dólares para as empresas encarregadas de subcontratar os trabalhadores.

- Os trabalhadores cortaram o fornecimento de energia elétrica em todos os campos de extração e isso está provocando uma queda no volume de produção - disse um importante dirigente da empresa que não quis ter sua identidade revelada.

Os trabalhadores subcontratados reclamaram sobre o atraso nos pagamentos e exigiram que a estatal ofereça vagas de tempo integral.

A greve começou na manhã de terça-feira.

Os trabalhadores contratados oferecem serviços diversos, como garantir a segurança dos campos de extração e reparar máquinas pesadas.

A Petroecuador, que enfrenta problemas financeiros, advertiu que a produção pode ser paralisada neste ano devido à falta de fundos para projetos de extração e exploração.

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