Rio de Janeiro, 17 de Outubro de 2026

Equador avalia se paga BNDES após expulsar Odebrecht

Quarta, 24 de Setembro de 2008 às 15:49, por: CdB

O presidente do Equador ameaçou nesta quarta-feira não pagar o empréstimo de cerca de 200 milhões de dólares, concedido pelo banco estatal brasileiro BNDES, relacionado à construtora Odebrecht, companhia que ele expulsou do país no dia anterior.

Na terça-feira, Rafael Correa, ordenou que a Odebrecht suspendesse as operações no Equador devido a reclamações do governo de que uma hidrelétrica nova tinha sido mal construída. Ele enviou tropas para confiscar o terreno ocupado pela construtora, onde estão sendo desenvolvidos projetos no valor de 800 milhões de dólares.

O presidente equatoriano afirmou que revisou na noite de terça-feira o relatório final das principais dívidas externas do país com a finalidade de determinar quais empréstimos serão quitados.

- Nós estamos pensando seriamente em não pagar o crédito do BNDES, o Banco de Desenvolvimento do Brasil, que foi concedido através da Odebrecht para construção da hidrelétrica San Francisco - declarou Correa durante entrevista televisiva.

A quantia de quase 200 milhões de dólares tem "inúmeras irregularidades... o dinheiro foi dado à companhia, mas aparece como um empréstimo do Brasil ao Equador".

Os projetos da construtora no Equador incluem um pequeno aeroporto regional, a instalação de duas hidrelétricas e um projeto de irrigação rural.

Desde que assumiu a presidência em janeiro de 2007, Correa tem preocupado investidores com a ameaça de não pagar alguns débitos estrangeiros que ele considera que foram estabelecidos sob termos injustos por governos anteriores.

Entretanto, analistas disseram que a ameaça de Correa de não pagar o empréstimo brasileiro faz parte de um discurso popular antes do referendo de domingo para ampliar seus poderes presidenciais. Pesquisas mostram que ele deve vencer.

- Correa está apenas tentando fazer da Odebrecht um exemplo. É uma manobra política e eleitoral - disse Enrique Alvarez, chefe de estratégias de dívida para América Latina do IDEAglobal em Nova York.

- Não acredito que ele queira concretizar qualquer dessas ameaças - afirmou.

No ano passado, o ex-ministro da economia lançou uma auditoria no governo sobre as dívidas do país para determinar créditos "ilegítimos", ou empréstimos que ele diz estarem cheios de irregularidades.

A divulgação do relatório final foi adiada por semanas, mas auditores encontraram indicações de "ilegitimidade" nos bônus globais do país em 2012 e 2030. Os bônus globais para 2015 não foram avaliados, disseram auditores.

Os três bônus somam 3,8 bilhões de dólares, de acordo com dados do Ministério da Fazenda.

Durante a entrevista, Correa reiterou as ameaças de suspender o pagamento de dívidas se seu governo enfrentar um déficit devido a uma queda nos preços do petróleo, mas baixou o tom de seus comentários ao afirmar que pode reduzir o investimento em alguns projetos de infra-estrutura para aliviar a pressão fiscal.

O presidente equatoriano normalmente aprecia bons relacionamentos diplomáticos com o vizinho Brasil, mas frequentemente utiliza medidas nacionalistas para fomentar suporte interno.

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