Os esforços da Dubai World para reestruturar cerca de US$ 26 bilhões em dívida de um total de US$ 59 bilhões reassegurou os investidores de que os problemas na dívida do emirados podem ser contidos, ajudando os mercados globais a se recuperarem nesta terça-feira. A Dubai World, conglomerado controlado pelo governo que levou à transformação de Dubai em um centro regional de finanças, investimentos e turismo, revelou no fim da segunda-feira detalhes de um plano de reestruturação que envolve a dívida das suas principais empresas, Nakheel e Limitless.
– As discussões iniciais começaram com os bancos da Dubai World e estão encaminhadas em uma base construtiva – disse a Dubai World em comunicado, o primeiro desde o início da crise.
Na semana passada, Dubai abalou os mercados mundiais quando afirmou que poderia pedir aos credores da Dubai World e Nakheel para concordarem com uma suspensão de bilhões de dólares em dívida como primeira medida de reestruturação.
A notícia do plano de reestruturação aliviou os nervos de alguns investidores depois que o governo de Dubai rejeitou responsabilidade sobre as dívidas de Dubai World na segunda-feira, acabando com a hipótese de credores de que o Emirado garantiria os compromissos do grupo. Hassaim Arabi, presidente-executivo da Gulfmena Alternative Investments, disse que a declaração de reestruturação da Dubai World ofereceu apoio aos mercados preocupados, mas que não deve conter completamente os movimentos de vendas.
A bolsa de Abu Dhabi teve mais um dia de fortes perdas desde o início da crise na semana passada, recuando caiu 5,8% nesta terça-feira.
– Dubai ainda é um risco, mas a maior parte da Ásia tem exposição muito pequena a Dubai... Então, as pessoas podem querer evitar os bancos, mas a maioria das outras empresas está bem – disse Francis Cheung, estrategista do CLSA em Hong Kong.
Bolsas respiram
As bolsas de valores da Ásia encerraram a terça-feira em alta, depois de os temores sobre contágio dos problemas de dívida de Dubai diminuírem e impulsionadas por notícias locais, como uma reunião emergencial do banco central japonês e um aumento do juro australiano. As ações em Dubai, no entanto, tinham outro dia de forte queda, de 5,8%.
– Dubai ainda é um risco, mas a maior parte da Ásia tem exposição muito pequena a Dubai... Então, as pessoas podem querer evitar os bancos, mas a maioria das outras empresas está bem – disse Francis Cheung, estrategista do CLSA em Hong Kong.
No mercado cambial, o iene caiu depois de o Banco do Japão convocar uma reunião emergencial de política para discutir a fraqueza da economia, mas recuperou parte das perdas com o anúncio do resultado do encontro, que mostrou que o banco central agiu de forma mais contida do que alguns investidores esperavam.
A bolsa de Tóquio subiu 2,43%, para 9.572 pontos, pela expectativa de mais medidas de estímulo ao crescimento. O dólar subiu mais de 1% ante o iene, a 87,49 ienes, depois da notícia da reunião, mas reduziu os ganhos a 86,80 ienes depois da medida.
Em Sydney, a bolsa subiu 0,38%, para 4.719 pontos. As ações da Qantas saltaram 3,9%, depois da empresa aérea anunciar um aumento de 7% nos passageiros em outubro.
Bovespa em alta
A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) repercutiu bem as alternativas para a resolução do episódio Dubai e operava em seu maior nível de 2009. As bolsas europeias também mostraram forte alta, recompondo as perdas com o nervosismo da semana passada. A taxa de câmbio doméstica bate R$ 1,73.
O Ibovespa, termômetro dos negócios da Bolsa paulista, sobe 1,66%, aos 68.154 pontos. O giro financeiro é de R$ 1,16 bilhão.
O dólar comercial é vendido por R$ 1,733, em um declínio de 1,19%. A taxa de risco-país marca 223 pontos, número 3,04% abaixo da pontuação anterior.
Entre as primeiras notícias do dia, a Eurostat, a agência europeia de estatísticas, informou que a taxa de desemprego atingiu 9,8% em outubro (a mesma taxa de setembro) entre os países que adotam o euro como moeda corrente. Na UE (União Europeia) como um todo, a taxa ficou em 9,3% em outubro, contra 9,2% um mês antes.