As pessoas que sofrem de enxaqueca e não fazem tratamento corretamente têm mais riscos de sofrer um AVE (acidente vascular encefálico), popularmente conhecido como derrame.
Os riscos são ainda maiores para pessoas -especialmente mulheres- que têm enxaqueca com aura: caracterizada por manifestações visuais, que precedem a dor de cabeça (como enxergar luzes piscando e manchas brilhantes ou ter a visão borrada).
Mulheres que tomam anticoncepcional oral e fumam formam o grupo de maior risco, segundo estudos feitos no Canadá e na Holanda e confirmados por especialistas brasileiros.
O médico Abouch Valenty Krymchantowski, doutor em neurologia, explica que o aumento do risco de derrame nos pacientes com enxaqueca acontece por causa da diminuição da irrigação sangüínea no cérebro durante a crise enxaquecosa.
- Durante a crise de enxaqueca a pessoa sofre uma isquemia rápida - insuficiência de irrigação sangüínea - que normalmente regride sozinha. Mas, em alguns pacientes, essa isquemia se mantém, provoca a morte celular da área e, conseqüentemente, o que chamamos de infarto enxaquecoso.
Não existem estudos brasileiros que apontem a prevalência do derrame em casos de enxaqueca. Mas, segundo Krymchantowski, a mulher que tem enxaqueca com aura e fuma tem oito vezes mais chances de ter o derrame. Se acrescentar o anticoncepcional, as chances de ter o problema são aumentadas em 20 vezes.
Segundo Deusvenir de Souza Carvalho, neurologista da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), o anticoncepcional, por conter estrógeno, interfere na coagulação sangüínea.
- O anticoncepcional, assim como o cigarro, altera os mecanismos da circulação do sangue. Por isso, as mulheres que somam esses dois componentes à enxaqueca são uma verdadeira bomba-relógio - afirma Carvalho.
O neurologista Edgar Rafaelli Júnior, membro vitalício da Sociedade Internacional de Cefaléia, faz uma ponderação: "Os riscos existem sim. Mas, se o paciente tratar a enxaqueca corretamente, os riscos desaparecem".
Uma das formas de tratar corretamente a enxaqueca é evitar tomar analgésicos por conta própria durante crises.
- Analgésicos podem levar a um quadro de cefaléia crônica diária porque o cérebro deixa de produzir endorfina, que é a nossa morfina natural. É necessário medicar para prevenir a crise -confirma Célia de Paula Roesler, coordenadora do Departamento de Cefaléia da Academia Brasileira de Neurologia.