Os britânicos, insatisfeitos com a guerra contra o Iraque, puniram o primeiro-ministro Tony Blair nas eleições locais, deixando o partido dele, o Trabalhista, em terceiro lugar na disputa. "Essa é uma noite ruim para nós, mas não é o fim", disse o secretário do Interior do país, David Blunkett. "Temos uma idéia bastante clara sobre a questão do Iraque: ela nos prejudicou."
O resultado do pleito desta quinta-feira, que deve se repetir na eleição para prefeito de Londres (capital), nesta sexta, e na eleição para o Parlamento Europeu, no domingo, promete reforçar as especulações sobre a permanência de Blair no cargo.
Mas analistas prevêem que o premiê leve o Partido Trabalhista a uma nova vitória nas eleições gerais de 2005, apesar da humilhação sofrida no pleito desta semana.
Com quase metade dos resultados apurados na manhã desta sexta-feira, os trabalhistas tinham deixado de eleger 211 vereadores. As projeções são de que cerca de 400 vereadores do partido percam a disputa, uma marca considerada preocupante para Blair.
A BBC projetou que os trabalhistas ficarão com apenas 26 por cento dos votos, atrás dos conservadores, com 38%, e do terceiro maior partido da Grã-Bretanha, os liberais democratas, com 30% cento.
"Temos aqui um governo claramente impopular, mas o maior partido da oposição não está conseguindo capitalizar esse sentimento", afirmou à Reuters Peter Kellner, um especialista em pesquisas. Segundo Kellner, os conservadores, se tivessem obtido 40 por cento dos votos agora, teriam chances reais de vencer o governo em 2005.
"Blair não será uma estrela de popularidade como em 1997. Mas acho que as pessoas vão optar por confiar nele novamente."
Os conservadores, de outro lado, mostravam-se empolgados. "Essa foi a pior performance eleitoral dos trabalhistas e é a primeira vez em que o governo ficou em terceiro lugar nas eleições locais", afirmou Liam Fox, do partido oposicionista.