Rio de Janeiro, 09 de Setembro de 2026

Envolvido em morte de missionária no Pará depõe

Domingo, 20 de Fevereiro de 2005 às 08:51, por: CdB

Amair Feijoli da Cunha, o Tato, acusado de ser o intermediário do assassinato da freira Dorothy Stang, depõe a portas fechadas neste domingo na delegacia de Altamira, no oeste do Pará. Ele passou a noite no Centro de Recuperação Regional do município.

Cunha se entregou a equipes da Polícia Civil do Pará na tarde de sábado em um trecho da rodovia Transamazônica, na floresta Amazônica, a 70 quilômetros de Altamira, uma semana após o assassinato da missionária. Ele passou a noite em uma cela isolada que ganhou reforço da Polícia Militar, disseram autoridades.

Segundo a polícia, Tato intermediou o contato entre dois pistoleiros, que executaram a freira, e do foragido fazendeiro Vitalmiro Bastos de Moura, conhecido como Bida, suspeito de ser o mandante do crime. O delegado da Polícia Civil do Pará, Rilmar Souza, disse que Tato estava cansado e não tinha mais condições de fugir.

- Ele estava escondido no meio da mata e não conseguia mais caminhar na estrada e por isso se entregou - informou o delegado.

Amair da Cunha, 36 anos, nasceu na cidade Afonso Cláudio no Espírito Santo e estava em Anapu, cidade onde a freira foi morta, há cerca de um mês, segundo a polícia. A prisão foi negociada pela Polícia Civil com o advogado dele, Oscar Damasceno Filho.

No primeiro contato com os policiais, Cunha negou envolvimento no caso e disse que fugiu da área do Projeto de Desenvolvimento Sustentável Esperança, em Anapu, depois que soube do assassinato da religiosa. O suspeito disse ainda que se perdeu na região e que fez contato com parentes e advogado.

- Ele disse que era inocente e quando soube da morte saiu do local - disse o delegado da Polícia Civil. Segundo o delegado, Cunha confirmou que conhecia os dois pistoleiros acusados pela polícia de executar a freira, mas disse que não chegou a vê-los depois da execução.

- A partir dessas informações ficou claro que os dois executaram e a investigação tomou um rumo mais claro. Por que o Tato fugiria mesmo sem falar com os pistoleiros? - questionou o delegado.

O depoimento do suposto intermediário do crime neste domingo está sendo acompanhado por dois promotores e pelo advogado do suspeito.

O fazendeiro Vitalmiro Bastos de Moura, suposto mandante do assassinato da missionária americana Dorothy Stang, aguarda o depoimento de Tato, em local não divulgado, para decidir se vai se entregar à Polícia Civil de Altamira (PA). A informação é do advogado do suspeito, Augusto Septimio.

Na noite de sexta-feira, a Polícia Civil ouviu o depoimento de Sebastião Teres Campelo Júnior, suspeito de ter ajudado o fazendeiro a fugir.

- Tivemos a informação que ele teria feito o transporte do Moura em um carro branco de Anapu até Altamira, mas ele nega.

Como a polícia não reuniu elementos suficientes contra Campelo, ele foi liberado após o depoimento.

O delegado geral da Polícia Civil do Pará, Luis Fernandes, afirmou que o fazendeiro pode ser preso em breve.

- Temos informações boas que podem possibilitar a prisão dele a qualquer momento - afirmou Fernandes.

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