O embaixador do Irã na ONU, em Viena, disse na quarta-feira que Teerã não tem mais segredos para revelar à agência de fiscalização nuclear, e classificou de infundadas as novas acusações de que o país mantenha um programa atômico secreto.
O Irã deve fazer uma declaração completa sobre seu programa nuclear à AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica) em meados de maio. Questionado se ela revelaria novas pesquisas nucleares surpreendentes, o enviado Pirooz Hosseini respondeu que não.
"Vamos entregar a declaração conforme o combinado", disse Hosseini à Reuters. "Estamos fazendo nosso máximo para cooperar com a AIEA."
Depois de ter recebido uma "declaração completa" sobre o programa nuclear iraniano em outubro, os inspetores da AIEA descobriram que ela não incluía pesquisas em várias áreas que poderiam estar relacionadas a um programa de armas. Entre elas estavam as centrífugas P2, capazes de produzir urânio usado em bombas.
O chefe da AIEA, Mohamed ElBaradei, descreveu a descoberta das P2 como um "retrocesso" na cooperação com o Irã, e disse esperar que Teerã não tenha outros segredos como esse.
Mas continuam aparecendo acusações de que haja sim mais segredos. Um exilado iraniano que no passado já deu informações precisas sobre o programa nuclear de Teerã disse que as Forças Armadas iranianas estavam monitorando cerca de 400 especialistas convocados para desenvolver uma bomba atômica.
"São acusações infundadas. É uma tentativa de atrapalhar nossa cooperação tão produtiva com a AIEA", disse Hosseini.
Exilados do Conselho Nacional de Resistência do Irã, grupo que revelou em 2002 que Teerã estava escondendo uma fábrica de enriquecimento de urânio em Natanz e uma instalação de água pesada em Arak, deu mais detalhes sobre suas novas acusações na quarta-feira.
Numa entrevista coletiva em Bruxelas, o grupo disse que os líderes iranianos pretendem obter uma bomba em um ou dois anos, e que nada vai detê-los.
O conselho citou um trecho do que seria um documento oficial do Irã dizendo: "Aqueles que tiverem armas nucleares serão os donos do mundo, e os outros serão escravizados."
No ano passado, os Estados Unidos incluíram o conselho na lista de organizações terroristas e fecharam seus escritórios em Washington. Mas diplomatas ocidentais elogiam, privadamente, os serviços de inteligência do grupo no que se refere ao programa nuclear.
O Irã alega que seu programa nuclear tem o objetivo apenas de produzir eletricidade, e Hosseini pediu que, depois das inspeções atuais, o Irã deixe de ser tratado como um "caso especial" pela AIEA. "Somos como qualquer outro membro da AIEA. As pessoas no Irã estão perguntando por que constamos da agenda como um caso especial se estamos cooperando numa área tão vasta", disse ele.
Na terça-feira, o subsecretário de Estado norte-americano para o controle de armas, John Bolton, disse numa conferência da ONU que o Irã ainda está buscando obter armas nucleares. Ele afirmou que o fato ia acabar tendo que ser discutido no Conselho de Segurança da ONU, que poderia impor sanções ao país.