Enviado de Obama para o Oriente Médio renuncia
Por Andrew Quinn
WASHINGTON (Reuters) - O enviado especial da Casa Branca para o Oriente Médio, George Mitchell, anunciou na sexta-feira sua renúncia ao cargo, o que gera uma nova incógnita a respeito dos esforços do governo de Barack Obama para promover a retomada do processo de paz entre palestinos e israelenses.
Obama referiu-se a Mitchell como "um dos melhores servidores públicos que nossa nação já teve", e disse que o adjunto dele, David Hale, ocupará interinamente a função.
Numa breve carta de renúncia, Mitchell disse que já ultrapassou o prazo de dois anos em que pretendia ficar no cargo, e que por isso deixará a função a partir da próxima sexta-feira.
"Confio que isso dará tempo suficiente para uma transição efetiva", afirmou ele na carta, que foi divulgada pela Casa Branca.
A saída dele coincide com uma aguardada visita à Casa Branca do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, na próxima sexta-feira. Um dia antes, Obama deve fazer um discurso sobre sua estratégia para o Oriente Médio, num momento em que as turbulências do mundo árabe obrigam os EUA a reverem suas políticas para a região.
Não há expectativa de que Obama use o discurso para oferecer novas ideias para solucionar o conflito israelo-palestino. Mitchell, um ex-senador de 77 anos, havia se tornado um símbolo das frustradas ambições da Casa Branca nessa arena.
Desde que assumiu o cargo, o enviado - trazendo no currículo a mediação do bem sucedido acordo de paz da Irlanda do Norte - fazia frequentes visitas a capitais do Oriente Médio para tentar promover negociações.
Em alguns momentos, houve lampejos de esperança. O próprio Obama chegou a comandar uma cerimônia de retomada do processo de paz em setembro, mas as negociações logo foram abandonadas, devido à insistência de Israel em ampliar seus assentamentos na Cisjordânia.
Diante do impasse, os EUA desistiram em dezembro de promover um processo de paz direto, e desde então Mitchell não ia mais à região.
Recentemente, Obama fez mudanças na sua equipe para o Oriente Médio, e nomeou um novo embaixador em Israel, Daniel Shapiro, que como assessor presidencial havia ajudado a moldar a reação de Washington à maré de revoltas no Oriente Médio
As mudanças ocorrem num momento em que cresce a pressão para que Obama promova uma nova iniciativa de paz, ou então enfrente a perspectiva de ver os palestinos recorrerem à Assembleia Geral da ONU, em setembro, pedindo o aval à declaração de independência do seu Estado - manobra que certamente deve complicar a situação.
Netanyahu falará em 24 de maio ao Congresso dos EUA, e a imprensa israelense sugere que ele pode apresentar novas ideias para a retomada do processo de paz, embora ele mesmo não tenha até agora dado nenhuma indicação concreta.
Comentando a saída de Mitchell, o porta-voz de Obama, Jay Carney, disse na sexta-feira que o compromisso do presidente com a paz do Oriente Médio "continua tão firme quanto era quando ele assumiu o cargo". "Esta é uma questão difícil" acrescentou.
(Reportagem adicional de Arshad Mohammed e Matt Spetalnick)
Reuters