De acordo com fontes diplomáticas, Gambari, que é ex-ministro das Relações Exteriores da Nigéria, teria se encontrado com o general Than Shwe na capital Naypyidaw e com a líder dissidente Suu Kyi na principal cidade do país, Yangun.
Suu Kyi faz parte da Liga Nacional pela Democracia, que venceu com folga as eleições de 1990 no país, anuladas pelos militares.
Nas duas últimas semanas, Mianmar teve as ruas tomadas por manifestantes protestando contra o governo militar, mas o número de pessoas nas marchas é agora muito menor e as principais cidades contam com forte presença militar.
Os monges budistas que estavam inicialmente liderando os protestos foram presos ou confinados a seus templos.
Rara crítica
De acordo com números do governo, dez pessoas foram mortas durante a violenta repressão às manifestações pró-democracia na semana passada.
Diplomatas e ativistas dizem que o número de vítimas foi muito maior.
A liderança militar de Mianmar normalmente ignora a pressão internacional contra o governo, mas desta vez até seu principal aliado, a China, criticou as ações do governo, assim como a Associação das Nações do Sudeste Asiático, da qual Mianmar faz parte.
O primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, disse esperar que a paz retorne a Mianmar em breve.
- A China espera que todas as partes envolvidas (nos confrontos em Mianmar) exerçam a moderação, retomem a estabilidade por meios pacíficos o mais rápido possível, promovam a reconciliação interna e alcancem a democracia e o desenvolvimento - disse Wen em uma declaração.
Um enviado do Japão também está a caminho de Mianmar para garantir que haja uma investigação séria da morte do jornalista japonês Kenji Nagai, na última quinta-feira.
Imagens de vídeo do momento de sua morte aparentemente mostram um soldado atirando no japonês à queima-roupa enquanto as forças de segurança combatiam os protestos nas ruas de Yagun.