Paulo Sérgio Pinheiro pretende reunir-se com prisioneiros políticos e tentar descobrir, com exatidão, quantas pessoas morreram durante os protestos pró-democracia que levaram milhares às ruas em setembro.
O governo afirma que dez pessoas morreram em conseqüência dos confrontos entre as tropas e os manifestantes - liderados por monges budistas -, mas diplomatas acreditam que esse número pode ter sido muito maior.
Também não há estatísticas oficiais sobre o número de pessoas que foram presas durante os protestos.
Acesso irrestrito a prisioneiros
O relator da ONU disse que se as autoridades não cooperarem com seu trabalho, ele deixará o país imediatamente.
O roteiro da visita ainda está sendo definido, mas de acordo com o correspondente da BBC na Ásia, Andrew Harding, Pinheiro precisará de acesso irrestrito aos presos políticos em Mianmar para conseguir fazer seu trabalho.
Na avaliação do correspondente, o governo militar deve tentar impor restrições ao relator da ONU, mas o fato de que permitiram sua visita é um "sinal de que as presssões vindas de dentro e de fora do país começam a surtir efeito entre os generais".
A visita do brasileiro ocorre dias depois da passagem pelo país do enviado especial das Nações Unidas a Mianmar, Ibrahim Gambari, que encontrou-se com ministros e a líder de oposição Aung San Suu Kyi, em prisão domiciliar.
As manifestações em Mianmar começaram quando o governo anunciou o aumento do preço dos combustíveis, mas logo ganharam dimensão política.
O governo inicialmente permitiu os protestos, mas após alguns dias reagiu com violência e reprimiu as manifestações.