NoPeru, mais de 10 milhões de pessoas não possuem serviço público de águapotável. A cifra é ainda mais alta em relação aos que não têm acesso à rede deesgoto. De acordo com o Movimento Peruanos Sem Água, são mais de 15 milhões decidadãos sem o serviço.
Ementrevista à Adital, Abel CruzGutiérrez, presidente do Movimento, comentou sobre os projetos realizados pelaorganização para garantir água para todos/as, a falta de ações do Governoperuano para essa demanda, e as expectativas do Movimento em relação ao governode Ollanta Humala, presidente eleito em junho passado.
"MovimentoPeruanos Sem Água” é uma organização que tem o objetivo de garantir queperuanos e peruanas tenham acesso à água no país. Para isso, desenvolveprojetos como "pega-névoas”, que retém água da neblina como alternativa para asfamílias que moram em regiões aonde as empresas de água não chegam. Confira a entrevista:
Adital – O senhorfala que mais de 10 milhões de pessoas são privadas do serviço público de águapotável. Que tipo de ações o Movimento Peruanos sem Água realiza diante desseproblema?
Abel Cruz Gutiérrez– Nossaorganização foi a que pôs na agenda nacional do governo. Por isso surge oprograma "Água para Todos” que foi utilizado politicamente e não teve êxito.Foi mais uma demagogia barata do governo que se vai. Bom, quanto ao governoatual, esperamos que nos chame para poder conversar e nos pôr de acordo e, senão existir esse tipo de convocatória por parte deste governo, sairemos às ruascomo aquele ano, 2005, 2006, que mobilizamos mais de 30 mil pessoas pelas ruasde Lima.
Adital – Existealguma ação concreta a ser desenvolvida nestes dias ou um calendário demobilizações?
Gutiérrez – Não, por agoraesperaremos a mensagem do 28 de julho [dia da posse de Ollanta Humala,presidente eleito]; esperamos que ali diga algo sobre nosso problema, esperamossoluções concretas, nada de demagogias, só nos resta esperar.
Adital – Qual é a resposta do governo diante das demandas do Movimento?
Gutiérrez – Quase sempre foram péssimas e demagógicas porque selicitaram grandes obras que saíram com muitos problemas e escândalos, já sejade índole econômica com negociatas por baixo da mesa.
Adital – Como se desenvolve o projeto "pega-névoas”?
Gutiérrez – Esta é uma alternativa à escassez de água nasalturas onde talvez a empresa de água nunca chegará a dar porque são muito distantes,custa muito investir em poucas pessoas. Por isso vimos impulsionando estagrande tarefa de ter água da neblina desde três anos atrás e tem bom resultado.Em uns dias é muito provável que inauguremos mais um par de pega-névoas;estamos fazendo mil esforços como movimento e também estamos batendo às portasdas instituições públicas e privadas para que nos possam ajudar; só nossaorganização vem empurrando com mil sacrifícios; já temos quatro projetos bemgrandes em Lima e se vem projetando reflorestamentos em províncias como Puno,Ayacucho, Piura.
Adital – Que avaliação o Movimento faz do atual governo? Havia muitascríticas a Alan García. Nesse sentido, a situação com Ollanta melhorou ou não?
Gutiérrez – Para ser sincero, nossa organização recebe commuita expectativa este governo de Ollanta. Esperamos que nos receba, uma vezinstalada, e possamos conversar e coordenar muitos temas com comum, como os 10milhões sem água, mais de 15 milhões que não têm os serviços de esgoto; e estes10 milhões tende a ser mais porque, no Peru, não há planejamento domiciliar,por isso as pessoas seguem subindo às colinas enganadas pelos traficantes deterrenos, não existe uma sanção para os traficantes que vivem da nossa pobreza.