Qual a saída para driblar a crise dos filmes de terror/ suspense americanos da atualidade? Não existem nomes ou exemplos atrelados a bons filmes desses gêneros. Nos últimos dez anos vimos muito pouca coisa boa e repetições demais.
Está em cartaz há um tempo Vozes do além, filme bastante fraco que traz uma espécie de reviravolta no final que lembra o antigo formato whodunnit. Algo bastante parecido em relação ao desfecho acontece em Jogos mortais. Inexplicavelmente, este está fazendo algum sucesso de público e crítica. Vozes do além traz no plot uma questão sobrenatural, a de transcomunicação instrumental (espíritos que se manifestam do além através de estática de rádio, TV, etcs). E é se aproveitando desse nicho encarnados/ desencarnados que vemos a história de Constantine, produção da Warner ainda inédita no Brasil estrelada por Keanu Reeves. O tal constantine é uma espécie de justiceiro-espanta-demônios. E daí?
Vendo Vozes do além, Constantine e esse Jogos mortais, conclui-se que o filme americano de terror/ suspense está em plena regressão. Isso já foi comentado por aqui em 2004. Mas não há nenhuma perspectiva de sair desse marasmo. Jogos mortais ainda vai mais além: "Esqueça Seven", diz o cartaz. Seven, definitivamente o último suspense americano bom, já vai completar 10 anos em 2005. O próprio diretor da fita, David Fincher, mostrou ser um cineasta regular nesses 10 anos. Qual seria a saída então?
Bom, citando esses filmes de vivos/ mortos, o lançamento mais significativo desses mesmos últimos 10 anos é sem dúvida O exorcista - director's cut. Constantine e Vozes do além, os últimos dois exemplos, fazem muito feio. São longa-metragens que não trazem nenhum tipo de carisma junto ao público (algo importante em um suspense). A saída talvez seja puxar para um gênero meio mesclado, como Peter Jackson fez em Os espíritos (daí já vão também quase 10 anos) ou como Tim Burton fez em Os fantasmas se divertem (20 anos). A estratégia dos dois foi fazer um filme leve, azeitado na comédia. Nos três exemplos do terror/ suspense recente, mata-se muita gente. Isso está ficando chato. Talvez M. Night Shyamalan, diretor de O sexto sentido, esteja certo: surpresa é a melhor forma de fugir do suspense quando pouco se pode fazer com ele. Depois de A vila, não se pode dizer que se trata de um cineasta a fim de repercutir no gênero, e sim uma vítima do bussiness hollywoodiano.