Rio de Janeiro, 09 de Setembro de 2026

Entre ruralistas, Dilma fala que economiza para pagar dívida pública

Quarta, 06 de Agosto de 2014 às 12:17, por: CdB
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Dilma falou, nesta quarta-feira, para uma plateia de ruralistas, na sede da CNA
A presidenta Dilma Rousseff mostrou-se otimista, nesta quarta-feira, sobre o cumprimento da meta de superávit primário para o pagamento da dívida pública neste ano e minimizou os resultados ruins recentes. – É natural que haja momentos de flutuação do superávit primário, mas acredito que teremos condições de cumprir o previsto no começo do ano – disse Dilma a jornalistas, após apresentar propostas ao setor agropecuário em evento organizado pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), que contou com a participação do principais candidatos à Presidência. A meta para o ano é de R$ 99 bilhões, o equivalente a 1,9% do Produto Interno Bruto (PIB). No acumulado em 12 meses até junho, o superávit primário está em 1,36% do PIB. Agronegócio Nesta tarde, a presidenta Dilma, que concorre à reeleição, disse nesta quarta-feira que as ações do governo, principalmente ampliando e barateando o crédito, foram fundamentais para o crescimento do agronegócio no país, evitando fazer promessas para os representantes dos agricultores caso reeleita. – Em 2003, quando o (ex-presidente) Lula assumiu, nós recebemos um Plano Safra... de R$ 20,5 bilhões para toda produção do agronegócio. Os juros variavam entre 8,75% no custeio até 11,95%, quando era em investimento. Hoje tenho muito orgulho que na atual safra nós colocamos à disposição dos produtores o maior e mais completo Plano Agrícola. São R$ 156 bilhões, um crescimento real de 259%. Os juros de 4,5% para investimento até 6,25% para custeio – disse Dilma em evento organizado pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) com os três principais candidatos à Presidência. Dilma tratou das principais demandas apresentadas pelo setor como desafios que terão que ser vencidos num segundo mandato. Entre esses pontos, ela citou os investimentos em infraestrutura, principalmente em hidrovias, a demarcação de terras indígenas e incentivos à construção de mais estruturas de armazenagem. Seguro agrícola Mais cedo, o candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves, disse que vai ampliar em 50 milhões de toneladas a capacidade de armazenagem nos próximos quatro anos e ampliará o seguro rural para 60% da área plantada. – Apenas 9% da área plantada no Brasil tem seguro rural... o Brasil é a única potência agrícola no mundo que não soube avançar nesse tema. Eu gosto de metas... Num período de 4 anos, (vamos) chegar a ter 60% da área plantada no Brasil com cobertura do seguro rural – disse o tucano na sede da CNA. Segundo ele, o governo também falhou ao não incentivar a construção de estruturas de armazenagem suficientes para atender os aumentos de produção do campo brasileiro. – O Brasil tem que estabelecer uma estratégia de ampliar armazenagem em mais de 50 milhões de toneladas por quatro anos – prometeu o tucano. Aécio também afirmou que a atual política de reforma agrária está ultrapassada, porque não dá condições de vida a quem ganhou a terra. Em um ataque direto às ações do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), o representante da elite financeira do país se comprometeu a levar "segurança jurídica" ao campo e impedir que "terras invadidas sejam desapropriadas". – No meu governo as fazendas invadidas não serão mais desapropriadas por período de dois anos – disse. Produtividade rural Para o candidato do PSB à presidência da República, Eduardo Campos, a preocupação foi a de agradar o setor do agronegócio, com a promessa de adoção de medidas para aumentar a produtividade rural e, ao mesmos tempo, afastar a preocupação dos ruralistas com a possível influência da indicada a vice, Marina Silva, nas decisões relacionadas ao campo. O ex-governador pernambucano abriu a sabatina da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA) com os presidenciáveis. Para uma plateia repleta de ruralistas, Campos falou diversas vezes em diálogo. Ele prometeu, se eleito, comandar pessoalmente as políticas voltadas para o campo e fortalecer o Ministério da Agricultura. Aplaudido algumas vezes, o presidenciável elogiou o setor dizendo que o agronegócio tem “atenuado” os reflexos das crises econômicas na economia brasileira. – Firmo um compromisso com o agronegócio de fazer uma leitura dos últimos 40 anos do que fez o agronegócio brasileiro, sem preconceitos e sem ranços, com a capacidade de diálogo, que a minha caminhada comprova que tem – afirmou Campos. Com um pronunciamento repleto de elogios ao setor produtivo rural, o terceiro colocado nas pesquisas de intenção de voto prometeu aumentar os recursos investidos no campo aliado a uma política de seguro. Eles disse que nas últimas quatro décadas o agronegócio “firmou aliança estratégica com o conhecimento, quebrou preconceitos, aprendeu”, tornando-se responsável por 23% do PIB, 26% dos empregos e 42% das exportações. Campos voltou a criticar o atual modelo político do país e a condução macroeconômica do governo petista que, segundo ele, tem levado o Brasil a um cenário de alta da inflação e dos juros e carga tributária elevada. “É exigida uma nova governança do setor público de uma sociedade que olha para o Brasil e se sente pagando um hotel de cinco estrelas e se hospedando em um hotel de meia estrela. Uma sociedade que vê uma carga tributária de 37% e serviços públicos que são demandados sem qualidade e sem efetividade”. Ao responder as perguntas formuladas pela CNA, Campos disse que daria prioridade a projetos de construção de hidrovias, executados pelo governo, concessões ou por meio de parcerias público privadas (PPP) mas ressaltou que os “processos têm que ser feitos respeitando os estudos ambientais, de impacto econômico”. Questionado sobre questões trabalhistas, como a que prevê punição para os produtores flagrados utilizando trabalho análogo ao de escravidão, Campos disse que hoje existe uma agenda no cenário político brasileiro para “criar a cisão entre o agronegócio e a sustentabilidade”. Ao falar sobre meio ambiente, Campos citou sua candidata a vice, Marina da Silva, reconhecida por suas críticas ao agronegócio. O candidato disse que "a chapa tem a qualidade de saber conviver com a divergência". Tempo de TV Ainda nesta manhã, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) divulgou a revisão da estimativa de tempo que os 11 candidatos à Presidência da República terão no horário eleitoral no rádio e na televisão, que começa no dia 19 de agosto e vai até o dia 2 de outubro. A revisão foi feita após questionamentos de partidos, apresentados em uma audiência pública. A norma não provocou alterações significativas em relação à resolução prévia, divulgada no mês passado. Segundo os dados, a coligação Com A Força do Povo, da candidata à reeleição Dilma Rousseff (PT), terá 11 minutos e 24 segundos. A coligação Muda Brasil, do candidato Aécio Neves (PSDB), ficou com quatro minutos e 35 segundos. Eduardo Campos (PSB), da Coligação Unidos pelo Brasil, terá dois minutos e três segundos. O tempo restante do horário eleitoral no rádio e na TV ficou dividido entre o PSC, do Pastor Everaldo (um minuto e dez segundos); PV, de Eduardo Jorge (um minuto e quatro segundos); PSOL, da candidata Luciana Genro (51 segundos), e Levy Fidelix (PRTB), que terá 47 segundos. Os candidatos Eymael, do PSDC, Zé Maria (PSTU), Mauro Iasi (PCB) e Rui Costa Pimenta (PCO) terão 45 segundos para expor suas ideias. Na sessão realizada na véspera, à noite, o TSE também definiu a primeira ordem de exibição dos programas que os 11 candidatos à Presidência da República terão no horário eleitoral no rádio e na televisão.
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