Rio de Janeiro, 02 de Setembro de 2026

Entre pacientes com HIV, 17% têm alguma complicação óssea

Levantamento do Hospital das Clínicas (HC) da Faculdade de Medicina da USP aponta que 17% dos pacientes em tratamento contra o HIV desenvolvem algum tipo de complicação óssea. Entre os fatores apontados para o surgimento das complicações estão a presença do vírus nos ossos e o uso contínuo de medicamentos pelos pacientes com Aids.

Quinta, 23 de Setembro de 2010 às 09:01, por: CdB

Levantamento do Hospital das Clínicas (HC) da Faculdade de Medicina da USP aponta que 17% dos pacientes em tratamento contra o HIV desenvolvem algum tipo de complicação óssea.  Entre os fatores apontados para o surgimento das complicações estão a presença do vírus nos ossos e o uso contínuo de medicamentos pelos pacientes com Aids. Segundo a médica infectologista Ana Lúcia Munhoz Lima, uma das coordenadoras do ambulatório do Instituto de Ortopedia e Traumatologia (IOT) do HC  que atende portadores do vírus da Aids com problemas ortopédicos, diversos fatores podem ser responsáveis pelas alterações osteoarticulares em pacientes infectados pelo vírus HIV. – Entre eles, estão a presença de vírus nos ossos, o uso do coquetel de tratamento, o sedentarismo e, até mesmo, questões genéticas –, alerta. – É preciso ter atenção, pois pequenas queixas ortopédicas, se não tratadas precocemente, podem gerar graves complicações aos pacientes soropositivos –, diz a infectologista, que coordena o ambulatório em parceria com o ortopedista Gilberto Camanho. Entre os principais problemas ósseos apresentados por soropositivos, que usam antirretroviral há mais de dez anos, estão a osteopenia (diminuição da densidade mineral), osteoporose e osteonecrose — principalmente do quadril. – O número de casos de osteonecrose é maior do que na população em geral e, devido ao diagnóstico tardio, a única opção de tratamento é a colocação de próteses articulares –, aponta a médica. O grupo vem tratando os pacientes com próteses de quadril, providas pelo Programa Estadual de DST/AIDS. As cirurgias são realizadas no Centro Cirúrgico do Instituto de Infectologia Emílio Ribas. – As dores iniciais não devem ser relevadas e sim investigadas –, ressalta, acrescentando que, quanto mais cedo for feito o diagnóstico, maiores e mais simples as chances de tratar. Os pacientes do ambulatório chegam encaminhados pela Casa da Aids do HC ou pelo Centro de Referência e Treinamento DST/Aids de São Paulo. Ao todo, já foram realizados 2.200 atendimentos e, atualmente, existem 400 pacientes fixos. O Brasil tem cerca de 700 mil pessoas contagiadas pelo vírus, sendo que menos da metade sabe que é portadora. – Antes, a doença matava muito rápido. Hoje, com a expectativa de vida prolongada, estamos conhecendo outros problemas que ela acarreta, como os ortopédicos –, explica Ana Lúcia. Para conscientizar os soropositivos da necessidade de cuidar dos ossos e das articulações, médicos do IOT têm levado informação a outros estados do Brasil. – Além da conscientização dos pacientes, também já treinamos médicos no Rio de Janeiro, Brasília e em alguns outros hospitais de São Paulo, por meio do Programa Nacional DST / Aids –, destaca a médica, enfatizando que os treinamentos continuarão por outras regiões brasileiras.

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