Nos dois primeiros meses deste ano o Brasil recebeu mais dólares do que em todo o ano de 2010 - US$ 24.356 bi em janeiro e fevereiro contra US$ 24.354 bi em todo o ano passado. Um dos motivos: o paísl remunera com uma das mais altas taxas de juros do mundo. Nossa taxa Selic está em 11,75% ao ano.
Essa oferta extraordinária de moeda estrangeira faz com que o dólar caia, barateia as importações e encarece nossas exportações. É ruim, se não péssimo, para a balança comercial e a indústria. Vamos ver o que acontece, já que a equipe econômica mantém o consenso de que é preciso fazer algo para reduzir esse impacto e garante que "prepara medidas na área cambial". Não antecipou quais.
Enfim, esta entrada maciça de capitais é uma crise anunciada. Com esses juros que pagamos, nem haveria como pensar que eles não viriam. Juros nesse patamar, já cansei de repetir aqui, são um tiro no pé. Com eles, nem adianta prometerem ou anunciarem, não há medida capaz de atenuar a valorização do real.
Querem taxa de crescimento de 3,5%
Vejo, também, que algumas áreas do governo - leia-se, principalmente o Banco Central (BC) - e alguns bancos já trabalham com a previsão de um crescimento de 3,5% para o PIB deste ano, menos da metade do percentual de 7,5% que conseguimos crescer no ano passado.
É o índice sonhado pela oposição, pelos arautos da estagnação econômica, saudosos dos 8 anos de tucanato no país comandados pelo governo do presidente Fernando Henrique Cardoso.
Justificativa das "áreas do governo e alguns bancos" para essa torcida infame por queda tão dantesca do crescimento econômico: com um desaquecimento tão acelerado, seria possível a convergência da inflação para perto do centro da meta já em 2012.
Estamos, mesmo, no pior dos mundos...e infelizmente, parece mesmo que ninguém quer se opor a essa política insana do BC. A propósito, eu gostaria que vocês lessem, também, "Sob nova administração, de fato", o artigo do Vinicius Torres Freire, na Folha de S.Paulo de hoje.Ele dá explicações didáticas para a quase incompreensível ata da última reunião do COPOM-BC.
Rio de Janeiro, 06 de Agosto de 2026
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