O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, manifestou nesta terça-feira seu apoio à entrada da Ucrânia à Otan, durante visita ao país.
Bush disse que seu apoio não tem relação com os governos pró-ocidentes atuais das duas repúblicas, nem mesmo com a intenção de formar um escudo antimísseis dos EUA na Europa.
- Ajudar a Ucrânia a avançar para a adesão à Otan é do interesse de todos os membros da aliança e vai contribuir com a segurança e a liberdade nesta região e mundo afora - afirmou Bush.
Sentado ao lado do presidente ucraniano, Viktor Yushchenko, Bush disse que os Estados Unidos apóiam a decisão corajosa tomada pela Ucrânia de pedir sua entrada no bloco militar ocidental.
O presidente norte-americano disse que pressionará seus aliados militares durante a reunião de cúpula do bloco na Romênia, nesta semana, para apoiar os planos para a incorporação de Ucrânia e Geórgia ao grupo.
Bush disse ainda que a Rússia, que não faz parte da aliança, mas se opõe fortemente à expansão da Otan aos países da antiga União Soviética, não terá o poder de veto sobre a aprovação da entrada dos dois países. A França também não apoia a entrada dos novos membros na Otan.
O presidente norte-americano negou que esteja interessado em negociar com a Rússia a retirada do apoio à entrada das duas repúblicas em troca da permissão de construção de interceptadores de mísseis e radares na Polônia e na República Tcheca.
Profunda crise
O vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia, Grigory Karasin, disse em uma audiência na Câmara Baixa do Parlamento russo, a Duma, que a entrada da Ucrânia na aliança militar ocidental "provocaria uma profunda crise nas relações entre a Rússia e a Ucrânia".
Segundo ele, a Ucrânia se tornaria uma área de acesso entre a Europa e a Rússia. Karasin disse que os países ocidentais precisam fazer uma escolha estratégica porque "a crise também afetará da maneira mais adversa a segurança pan-européia".
Reportagem publicada nesta terça-feira pelo diário inglês Financial Times também relata a oposição da Alemanha à entrada da Ucrânia e da Geórgia à Otan, alegando que esses países ainda não estão "maduros" para se aliar ao bloco.
Desaprovação interna
Apenas 30% do ucranianos apoiam a entrada de seu país na organização. No centro de Kiev, na praça da Independência que já foi palco de manisfestações a influência russa e pela ascensão de Yushchenko ao poder, houve manifestação contraria a adesão e contra chegada de Bush ao país.