Rio de Janeiro, 17 de Setembro de 2026

Entidades querem acabar com internação de doentes mentais em manicômios

Quarta, 19 de Maio de 2004 às 01:07, por: CdB

Uma luta que vem sendo travada para superar a violência de instituições como hospícios e manicômios e mudar a forma, que existe há mais de 200 anos, de se tratar pessoas com transtornos e sofrimentos mentais. Assim a conselheira do Conselho Federal de Psicologia, Deusdet do Carmo Martins, definiu o Dia Nacional da Luta Antimanicomial, comemorado na última terça-feira.

- A nossa luta é para trazer essas pessoas de volta para o convívio social, a partir de dispositivos de cuidado, em lugares abertos, onde elas possam conviver com a sua família e com a sociedade - explicou a psicóloga.

Desde o último ano, a Rede Nacional Internúcleos da Luta Antimanicomial, que reúne núcleos em dez estados e no Distrito Federal, briga para acabar com os hospícios e manicômios e mudar a forma de tratamento dos ditos 'loucos'.

Os benefícios de se tratar os pacientes com transtornos mentais em lugares de convívio social, como os Centros de Atenção Psicossocial (Caps), centros de convivência e moradias protegidas são inúmeros.

Segundo Deusdet, nesses locais, os pacientes têm a possibilidade de discutir de que forma gostariam de ser tratados, receber os medicamentos adequados, falar sobre suas necessidades, manter o relacionamento com familiares e vizinhos, expressar seus sentimentos por meio de oficinas, ter acesso ao lazer e participar de programas de capacitação para o trabalho.

- É preciso que a sociedade respeite as diferenças. Muitas vezes a pessoa não tem um comportamento normal como todo mundo espera, o normal estatisticamente. Se ela age de uma forma diferente, as pessoas estranham. Então, é preciso trabalhar a questão da cultura que a pessoa pode ser diferente e as outras conviverem com ela - afirmou a psicóloga.

Essa mudança cultural na sociedade, segundo Deusdet, leva tempo e envolve a visão que se tem sobre a loucura, que gera uma série de outras reações.

- Uma das questões mais difíceis para mudar a forma de atendimento e trazer o louco para a sociedade é o preconceito - disse.

 Para diminuir esse preconceito contra os pacientes com transtornos mentais a palavra-chave é 'misturar', procurar não diferenciá-los das pessoas comuns. Os tratamentos mais avançados não diferenciam equipe e pacientes, ou técnicos e usuários, como são tratados.

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