Rio de Janeiro, 08 de Setembro de 2026

Entidades pedem que ONU condene torturas dos EUA

Quarta, 09 de Março de 2005 às 16:40, por: CdB

Uma importante entidade norte-americana de direitos humanos pediu na quarta-feira à ONU que condene Washington pelo "uso sistemático de tortura de maus-tratos" contra presos no exterior.

A Human Rights Watch, de Nova York, disse que a Comissão de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU), que se reúne na segunda-feira na sua sessão anual, deveria se manifestar contra "desaparecimentos, torturas e outros maus-tratos de detentos mantidos pelos Estados Unidos na sua guerra global ao terrorismo".

A entidade considera que os EUA estão longe de ser o país que mais comete abusos aos direitos humanos, mas que, sendo o mais influente, tem a obrigação de servir de exemplo.

- O uso sistemático de torturas e de maus-tratos pelo governo dos EUA está criando um exemplo negativo que prejudica os padrões internacionais para todos nós - disse o diretor-executivo da ONG, Kenneth Roth, em entrevista coletiva.

Washington nega que seus soldados recorram à tortura, mas admite que, desde os atentados de 11 de setembro de 2001, alguns presos foram enviados para interrogatórios na Arábia Saudita e no Egito, países que, segundo o próprio Departamento de Estado, costumam cometer abusos contra prisioneiros.

Além disso, soldados norte-americanos são acusados de cometer maus-tratos contra prisioneiros no Iraque e no Afeganistão, embora o governo considere que se trata de casos isolados, que não representam uma política oficial.

A comissão, que se reúne em Genebra durante seis semanas, todos os meses de março e abril, "tem de encontrar uma forma de se referir aos métodos de interrogatório dos EUA", disse Roth. "Essas práticas não são só produto de algumas maçãs podres, mas das decisões políticas tomadas em escalões superiores do governo", afirmou.

Os Estados Unidos nunca estiveram na berlinda da comissão, que reúne 53 países. Se uma moção crítica for aprovada, será a primeira vez que um membro permanente do Conselho de Segurança da ONU é formalmente apontado desde 2001, quando a Rússia recebeu menções negativas devido ao conflito separatista da Chechênia.

A Human Rights Watch disse em nota que espera que a comissão também critique as ações russas no Cáucaso, onde os assassinatos vêm se tornando mais frequentes e onde houve "uma explosão de desaparições".

China e Cuba são dois outros países que merecem condenação, segundo a ONG, que recomendou também a nomeação de um enviado especial para investigar abusos disseminados no Sudão.

Esses três países são membros da comissão, que no passado tinha como objetivo "apontar e envergonhar" os autores de abusos, mas que nos últimos anos evita, sempre que pode, menções a governos específicos. Tal relutância, segundo Roth, se deve ao fato de que cerca de metade dos atuais membros não tem uma atuação convincente no campo dos direitos humanos.

Tags:
Edições digital e impressa