25 deagosto, estado de Sinaloa, norte do México: o jornalista Humberto MillánSalazar é encontrado morto, com um tiro na cabeça, na cidade de Culiacán, umdia após ter sido sequestrado por homens armados quando se dirigia ao trabalho.O caso – sexto assassinato de jornalista no México somente neste ano – fez comque diversas organizações exigissem punição aos culpados e proteção à famíliado jornalista e a outros profissionais ameaçados.
Diretorageral da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura(Unesco), Irina Bokova lançou comunicado em que pede às autoridades para fazer todosos esforços possíveis no sentido de encontrar e julgar os culpados pelo crime."É essencial pôr fim à impunidade de que gozam os autores destes crimes noMéxico para manter o direito humano fundamental à liberdade de expressão, àliberdade de imprensa, à governabilidade e ao estado de direito”, frisou.
Tambéma Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) condenou o ocorrido epediu uma "investigação exaustiva”, em que "se leve em conta a possibilidade deque o crime tenha sido motivado pelo exercício do jornalismo”.
Aobservação da CIDH é pertinente, uma vez que Salazar dirigia, com reconhecidacriticidade, o periódico digital ‘A Discussão’, voltado para política local edenúncias de corrupção. Também trabalhava na Rádio Fórmula, onde dirigiaprograma com a mesma temática.
Acomissão destacou ainda que o caso do jornalista não é isolado, mas faz partede uma conjuntura preocupante, em que o México é considerado o país americanomais perigoso para comunicadores, opinião compartilhada também pela Organizaçãodos Estados Americanos (OEA). A CIDH pediu às autoridades que implementemmecanismos de segurança para proteger jornalistas ameaçados.
Já aComissão Estatal de Direitos Humanos (CEDH) reconheceu a necessidade deimplementar tais mecanismos. De acordo com o presidente da CEDH, Juan José RíosEstavillo, o caso de Salazar já foi levado à Comissão Nacional de DireitosHumanos.
Preocupadoscom o desenrolar que o caso de Humberto Millán Salazar ainda possa ter, a ‘Associaçãode Jornalistas e Comunicadores Sete de Junho’ demandou às autoridades proteção24 horas para a esposa e o filho do jornalista, até que terminem asinvestigações sobre o assassinato.
Sobrea possibilidade de Salazar ter sido assassinado por traficantes de drogas, o Comitêpara a Proteção dos Jornalistas (CPJ) se manifestou esclarecendo que não hámuitas possibilidades de que isso seja verdade. O jornalista costumava sedebruçar sobre temas políticos locais e, por este motivo, acredita-se que seusassassinos estavam entre seus inimigos políticos.
Perigo
Segundoo Índice de Impunidade, publicação do CPJ, a situação mexicana com relação àintegridade dos jornalistas piorou. O país é o oitavo mais perigoso do mundo eestá na lista de nações com maior impunidade pelo terceiro ano consecutivo. Nadécada passada, 13 casos de assassinatos de jornalistas ficaram sem solução,pelo que o Comitê responsabiliza a corrupção nos governos locais e órgãos desegurança.
Deacordo com a Federação Latino-Americana de Jornalistas (Felap), durante omandato de Vicente Fox (2000-2006) houve 83 assassinatos e 16 desapariçõesforçadas de comunicadores e trabalhadores da imprensa.
János seis anos de governo de Felipe Calderón, que teve início em 2006, houve 53assassinatos, que, segundo a Federação, estão em total impunidade. Os anospiores foram 2009 e 2010, quando 31 jornalistas foram assassinados e trêsdesapareceram.