Entidades ligadas à indústria, ao comércio e aos trabalhadores avaliaram como positivo o corte na taxa básica de juros anunciado na noite de quarta-feira pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central, mas pediram nesta quarta-feira que o Copom leve os juros a 10% ao ano até o final de 2007. A taxa Selic caiu de 12% para 11,5% ao ano.
A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) disse que saúda a decisão do Copom, mas espera que os juros caiam para 10% até o final do ano.
- Essa seqüência de cortes na taxa de juros está demonstrando que há intenção do governo em abandonar o conservadorismo e, coerente com o que tem dito, ter como meta o percentual de 10% para fechar este ano - afirmou Paulo Skaf, presidente da Fiesp.
A CUT foi mais crítica:
- Mais uma medalha de ouro para o Brasil. Ninguém tira sua condição de campeão pan-americano dos juros reais altos. Muito menos essa pequenina redução anunciada hoje, de 0,5%. No mundo, medalha de prata, atrás apenas da Turquia - disse Artur Henrique, presidente nacional da entidade.
Para a Confederação Nacional da Indústria (CNI), o ambiente econômico atual tem riscos inflacionários muito reduzidos e, por isso, o Copom acertadamente deu mais um passo para eliminar um dos grandes obstáculos ao desenvolvimento do país.
- O Copom precisa ser mais ousado ao cortar a taxa básica de juros - disse João Carlos Gonçalves, secretário-geral da Força Sindical. - Esta estratégia conservadora do governo leva o país a desperdiçar a oportunidade de crescer acima de 4,5% ao ano e nos obriga a conviver com desemprego elevado e outros impactos negativos nas relações de trabalho.
Para a Abdib (associação da indústria de base e infra-estrutura), a redução dos juros terá de ser acompanhada por outras ações que estimulem as decisões de investimento voltadas para a ampliação da capacidade industrial e sobretudo da infra-estrutura, com os objetivos de evitar inflação e racionamento na oferta de serviços.
- Por isso, precisamos criar as condições para aumentar os investimentos - resume Paulo Godoy, presidente da entidade.
- Se entrarmos em 2008 com uma taxa de 10%, ela continuará uma das maiores do mundo, mas representará um alívio - afirmou Abram Szajman, presidente da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio SP).