O Comitê para a Proteção dos Jornalistas escreveu na quarta-feira uma carta ao presidente de Cuba, Fidel Castro, pedindo a libertação de 23 jornalistas detidos desde a onda de repressão a dissidentes ocorrida em março de 2003.
A carta da entidade, com sede em Nova York, foi endossada por 108 escritores e jornalistas latino-americanos, entre eles os romancistas mexicanos Carlos Fuentes e Elena Poniatowska e o argentino Tomás Eloy Martínez.
"Pedimos ao governo cubano que respeite a lei internacional, autorizando os jornalistas a trabalharem livremente, sem temor de represálias", disse a carta, firmada pela diretora-executiva da entidade, Ann Cooper.
"Com 23 jornalistas aprisionados, Cuba continua sendo um dos países que mais detém jornalistas, atrás apenas da China", disse a carta a Fidel.
O apelo também recebeu apoio do ex-guerrilheiro e ex-ministro venezuelano Teodoro Petikoff, que hoje edita um jornal e faz críticas severas ao presidente Hugo Chávez, maior aliado do regime cubano no mundo.
O texto foi divulgado quase dois anos depois da prisão de 75 dissidentes e jornalistas independentes que foram condenados a até 28 anos de prisão por conspirar com os Estados Unidos contra o regime cubano. Apenas 14 deles foram libertados até agora, por motivos de saúde.
O governo cubano qualifica todos os dissidentes como "mercenários" a soldo do seu arquiinimigo, os Estados Unidos.
Mas o Comitê para a Proteção dos Jornalistas disse que os profissionais detidos atuavam dentro dos parâmetros legítimos da liberdade de expressão estabelecidos pelas convenções internacionais de direitos humanos.
Cerca de 150 intelectuais, artistas e ativistas, especialmente da América Latina, divulgaram na segunda-feira uma carta defendendo Cuba contra possíveis menções na Comissão de Direitos Humanos da ONU, que começou nesta semana sua reunião anual em Genebra.
Tradicionalmente, a comissão da ONU recebe todos os anos uma resolução contra Cuba, por iniciativa dos EUA ou com seu apoio.
Os signatários disseram que o governo norte-americano não tem autoridade moral para criticar a ilha comunista, pois comete abusos contra suspeitos de terrorismo detidos no Iraque e na base naval de Guantánamo, que fica encravada em Cuba.
Entre os autores do manifesto há quatro vencedores do Prêmio Nobel: dois da Paz -- o argentino Adolfo Pérez Esquivel e a guatemalteca Rigoberta Menchú -- e dois de Literatura -- a sul-africana Nadime Gordimer e o português José Saramago.