Rio de Janeiro, 20 de Agosto de 2026

Enterros na Bolívia podem gerar novos protestos

A convulsão social na Bolívia continua aumentando, um mês depois de iniciadas as manifestações contra o presidente do país, Gonzalo Sánchez de Lozada. Embora os protestos tenham diminuído de intensidade, nesta quarta-feira uma multidão se prepara para assistir ao enterro dos mortos nos últimos dias, o que pode levar a mais protestos. As caravanas se dirigiam à localidade de Ventilla, nos arredores de El Alto, para enterrar as vítimas da violência, que estão sendo qualificadas como "mártires do povo". (Leia Mais)

Quarta, 15 de Outubro de 2003 às 10:21, por: CdB

A convulsão social na Bolívia continua aumentando, um mês depois de iniciadas as manifestações contra o presidente do país, Gonzalo Sánchez de Lozada. Embora os protestos tenham diminuído de intensidade, nesta quarta-feira uma multidão se prepara para assistir ao enterro dos mortos nos últimos dias, o que pode levar a mais protestos.

As caravanas se dirigiam à localidade de Ventilla, nos arredores de El Alto, para enterrar as vítimas da violência, que estão sendo qualificadas como "mártires do povo". "Milhares de pessoas vão enterrar nossos mortos e juraremos continuar lutando até botar 'Goni' (apelido de Gonzalo) pra fora do palácio e derrubar seu governo", declarou um dos manifestantes ante as câmaras de televisão.

Segundo fontes humanitárias, somente na segunda-feira 28 pessoas morreram nos choques com as forças policiais em El Alto e La Paz. Até agora, desde que os índios aymaras, que se opõem à exportação do gás e exigem a renúncia de Lozada iniciaram os protestos, mais de 70 pessoas já morreram em confrontos.

Os focos de tensão, radicados durante os últimos dias em La Paz e El Alto, se espalharam também para Oruro (Sudeste), Sucre (Sudeste), Cochabamba (Centro), Potosí (Sul) e Santa Cruz (Leste), o departamento mais pujante do país e habitualmente alheio aos protestos sociais. Na cidade de Cochabamba, onde ontem à noite houve fortes choques entre manifestantes e policiais, a greve começa a ser sentida com o fechamento do comércio, a suspensão das aulas e a paralisação do transporte. Em Oruro, Potosí e Sucre, a capital constitucional e sede do Poder Judicial do país, os protestos dos dias anteriores ameaçam repetir-se nesta quarta-feira.

Na combativa região cocaleira do Chapare, as hostes de Evo Morales, líder da oposição política e chefe do Movimento Al Socialismo (MAS), ainda não conseguiram controlar a estrada que liga o Leste ao Oeste do país, devido a um forte dispositivo militar e policial. Enquanto isso, na frente da crise política o presidente falava sobre o pedido de seu aliado Manfred Reyes Villa, chefe da populista de direita Nova Força Republicana (NFR), de convocar um referendo sobre o futuro do gás natural, como uma maneira de solucionar a crise social. Mas o referendo, mecanismo solicitado também pelos sindicatos e pela oposição, não está previsto na Constituição.

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