Os territórios palestinos passam pelos momentos mais tensos das últimas décadas, com o crescimento da rivalidade entre membros do Hamas, do primeiro-ministro Ismail Haniya, e o Fatah, do presidente Mahmoud Abbas.
No dia 13 de maio, Baha Abu Jarab, um dos líderes da Brigada dos Mártires de al-Aqsa, aliada ao Fatah, e o guarda-costas dele, foram emboscados e assassinados na Faixa de Gaza.
As mortes levaram a uma escalada de ataques e seqüestros em retaliação, deixando cinco mortos só no domingo.
Esse foi o maior número de mortos em confrontos envolvendo membros do Hamas e do Fatah desde fevereiro, quando os dois partidos anunciaram um acordo para a formação de um governo de coalizão e um cessar-fogo.
O acordo de coalizão demorou meses para ser alcançado. Unindo Fatah e Hamas no governo, os palestinos esperavam reverter a crise iniciada pela vitória do Hamas nas eleições de janeiro de 2006.
A vitória do Hamas levou a um boicote internacional contra os palestinos, devido à recusa do Hamas de reconhecer o direito de existência do Estado de Israel.
Por muitos meses, a tensão vem aumentando nos territórios palestinos, que também passam por uma crise econômica, intensificado pelo cerco militar imposto por Israel e pelas sanções internacionais.
Os dois lados trocam acusações, mas procuram se distanciar de qualquer responsabilidade pelos ataques realizados contra seus oponentes.
Fatah - facção à que era ligado o líder palestino Yasser Arafat, que morreu em 2004 - apoiou a assinatura dos acordos de Oslo, em 1993, mas o avanço não trouxe paz duradoura à região.
Alguns líderes importantes do Fatah continuam acreditando que acabar com os ataques de palestinos contra Israel é a chave para forçar os israelenses a participarem de negociações de paz, levando à criação de um Estado palestino independente.
O Hamas se recusa a reconhecer a legitimidade de Israel ou a desistir da luta armada para retomar para os palestinos os territórios anexados por Israel em 1948.
O fracasso do processo de paz e as condições difíceis causadas pela ocupação israelense teriam causado a vitória do Hamas nas eleições parlamentares de 2006.
Muitos palestinos perderam a confiança no Fatah, que há alguns anos é visto como corrupto e incompetente. Dentro do Fatah, muitos se ressentem por ter perdido o poder pela primeira vez desde o surgimento do partido na década de 60.
Além disso, as visões de mundo do Fatah e do Hamas são fundamentalmente diferentes.
O Fatah é um movimento secular e nacionalista, que reconheceu o direito de existência do Estado de Israel. Está é uma das principais razões de sua aceitação internacional.
Hamas - é um movimento religioso islâmico, que por princípio não aceita a existência de um Estado judaico em terras que considera pertencentes a uma nação islâmica. O Hamas não concorda com a solução amplamente aceita pela comunidade internacional de um Estado de Israel vivendo ao lado de um Estado Palestino. Esta é a principal razão de seu isolamento em relação ao ocidente
O Fatah é ligado ao grupo Brigada de Mártires de Al-Aqsa, que adotou um cessar-fogo informal em 2005, mas conduz o que chama de ataques retaliatórios contra Israel.
O braço armado do Hamas, as brigadas Izzedine Al-Qassan, adotou também esse cessar-fogo - mas como a Brigada de Mártires de Al-Aqsa, se reserva ao direito de realizar ataques contra alvos israelenses.
O Hamas também tem cerca de três mil seguidores que formam uma força armada que atua na Faixa de Gaza.
A atuação desses homens armados aumenta a tensão no território e estimula seguidores do Fatah a apelar para a violência.
Os cerca de 70 mil membros da força de segurança palestina são, em sua maioria, leais ao Fatah.