Dezenas de pessoas, entre elas vários civis, morreram em conseqüencia dos confrontos entre o Exército do Líbano e a milícia islâmica sunita Fatah al-Islam no norte do país.
Os confrontos, que já duram vários dias, são o mais recente episódio de violência em um país marcado por diferenças religiosas e étnicas e por uma história de conflitos sangrentos.
Outro episódio recente foi o conflito militar entre Israel e o grupo militante Hezbollah, em julho de 2006, que uniu a população libanesa durante os mais de trinta dias de bombardeio contra o país mas parece ter agravado muito as tensões internas no Líbano neste pós-guerra.
Os sinais da crise se tornaram mais claros em dezembro quando o Hezbollah liderou a oposição libanesa em gigantescos protestos no centro da capital pedindo a renúncia do governo.
Analistas dentro e fora do Líbano vêm falando sobre o risco de uma retomada da guerra civil em larga escala, 17 anos depois do fim do conflito que destruiu o país entre 1976 e 1991.
Mas nas ruas de Beirute uma grande parte dos libaneses diz que não há disposição no país em se retomar o ciclo de violência.
O conflito foi detonado pelo roubo a um banco, que teria sido realizado na sexta-feira por integrantes do grupo militante palestino Fatah al-Islam, que supostamente tem ligações com a rede Al-Qaeda e com a inteligência síria.
Quando as autoridades libanesas fizeram uma blitz em um prédio em Trípoli no dia seguinte em busca dos suspeitos, os militantes reagiram.
Após terem resistido à voz de prisão, os militantes atacaram postos do Exército na entrada do campo de refugiados de Nahr al-Bared, reduto do Fatah al-Islam, em que vivem 30 mil palestinos.
Horas mais tarde, um grande número de tropas libanesas contra-atacou.
Um acordo firmado há 38 anos impede que o Exército entre nos campos de refugiados do Líbano.
O grupo militante disse que foi uma agressão não provocada.
O Líbano abriga mais de 350 mil refugiados palestinos que deixaram suas casas originais após a fundação de Israel, em 1948.
O campo de Nahr el-Bared estava sob vigilância desde as explosões de dois ônibus em uma área cristã de Beirute em fevereiro, pelas quais os militantes baseados no campo foram responsabilizados.
Mas o governo e também grande parte da mídia libaneses dizem que tudo - a começar pelo assalto ao banco - seria um plano da Síria para desestabilizar o Líbano e impedir as investigações sobre o assassinato do ex-primeiro-ministro Rafik Hariri (em fevereiro de 2005), outro crime do qual Damasco é acusado.
Os sírios negam qualquer envolvimento com o Fatah al-Islam.
O Líbano é o país mais complexo politicamente e mais dividido religiosamente no Oriente Médio, o que faz dele um fator tão explosivo em uma região já instável.
O pequeno Líbano desconcerta as pessoas de fora. Até mesmo as pessoas no Oriente Médio consideram sua política confusa.
Estabelecido pela França após a Primeira Guerra Mundial como um Estado predominantemente cristão, o Líbano agora é cerca de 60% muçulmano e 40% cristão.
O país tem 18 grupos religiosos reconhecidos oficialmente, e a divisão de poder entre eles sempre foi um jogo complicado.
Os muçulmanos libaneses tendem a olhar para o Oriente em busca de apoio de parte de outros Estados árabes e do Irã.
Os cristãos tendem a olhar para o Ocidente, para a Europa e os Estados Unidos.
A proximidade do país de Israel - e a presença de um grande número de refugiados palestinos em seu território - significa que ele também está intimamente ligado à disputa árabe-israelense.
O Líbano já tem problemas próprios suficientes, mas também se tornou palco de muitos dos conflitos e rivalidades regionais.
O longo conflito que destruiu o país de 1975 a 1990 foi tanto uma guerra civil quanto uma guerra regional.
Deixou o Líbano fortemente sob o controle da Síria e com uma faixa