Rio de Janeiro, 29 de Setembro de 2026

Ensino médio precisa ter qualidade

A proposta do Ministério da Educação pretende melhorar a qualidade do ensino médio, de maneira a garantir acesso, permanência e educação que faça sentido ao jovem no mundo de hoje. A intenção é promover a interdisciplinaridade e deixar o currículo mais flexível: 20% da grade curricular seria escolhida pelo aluno. (Leia Mais)

Terça, 02 de Junho de 2009 às 09:10, por: CdB

O parecer do Conselho Nacional de Educação (CNE) sobre o projeto Ensino Médio Inovador, da Secretaria de Educação Básica, será apresentado no dia 2 de julho.

– Alteramos a data final de aprovação para receber e analisar sugestões –, disse o relator do processo, Francisco Aparecido Cordão, durante audiência pública sobre o projeto nesta segunda-feira, no CNE. Sugestões podem ser encaminhadas ao Conselho até 15 de junho.

A proposta do Ministério da Educação pretende melhorar a qualidade do ensino médio, de maneira a garantir acesso, permanência e educação que faça sentido ao jovem no mundo de hoje. Para a secretária de educação básica, Maria do Pilar Lacerda, a discussão sobre o novo Enem como forma de acesso à educação superior favorece uma nova concepção de ensino médio.

–Temos de levar a discussão do acesso ao ensino superior muito a fundo para mexer a fundo no currículo do ensino médio –.

Na visão dela, hoje o currículo voltado para a memorização de conteúdos, especialmente em função dos processos de vestibular, e a organização rígida, em 12 disciplinas, dificulta a reestruturação deste nível de ensino.

Pela proposta do ministério, haveria a ruptura da atual estrutura curricular – organizada em disciplinas fragmentadas – pela organização dos conteúdos em quatro eixos: trabalho, ciência, tecnologia e cultura. A intenção é promover a interdisciplinaridade e deixar o currículo mais flexível: 20% da grade curricular seria escolhida pelo aluno.

O projeto também prevê o aumento da carga horária mínima do ensino médio – de 2,4 mil horas anuais para 3 mil – além do foco na leitura.

– A centralidade da leitura significa trabalha-la em todas as áreas do conhecimento, investir em espaços de leitura e formar o professor –, explicou Pilar.

O projeto ainda destaca a importância de se articular teoria e prática com o aumento de atividades práticas experimentais; propõe a utilização de novas mídias para dinamização da aprendizagem e a integração com o mundo do trabalho por meio de estágios direcionados, entre várias sugestões.

Para implementar as mudanças, o ministério oferecerá apoio técnico e financeiro a propostas pedagógicas inovadoras das redes públicas de ensino que aderirem ao projeto, caso seja aprovado pelo CNE.

A representante do Conselho Nacional da Juventude Maria Virgínia de Freitas defendeu que a proposta precisa “respeitar e valorizar a diversidade da juventude”. Segundo ela, os jovens precisam ser incorporados de maneira ampla ao debate. 

– Muitos jovens já estão no mundo do trabalho. Nós temos que pensar em como inserir esse modelo na realidade diversa dessas pessoas, senão vamos atender só a alguns –, afirmou.

A audiência pública desta segunda-feira reuniu representantes do Consed, da Undime, de ongs e entidades ligadas ao tema, além de técnicos e dirigentes do Ministério da Educação. A comissão do CNE, responsável por analisar a proposta da Secretaria de Educação Básica, quer receber contribuições da sociedade para aperfeiçoar a análise de mérito do projeto.

 Sugestões podem ser encaminhadas para o endereço eletrônico: liaricci@mec.gov.br Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. .

De acordo com texto preliminar do parecer, a comissão aprova a proposta.

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