Rio de Janeiro, 09 de Setembro de 2026

Enquanto Marina desidrata, Aécio tenta censurar a internet

Segunda, 08 de Setembro de 2014 às 10:54, por: CdB
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Aécio Neves tenta censurar blogueiros na tentativa de conter as repercussões negativas à sua campanha
Enquanto o 'tsunami-Marina' se transforma em apenas mais uma ressaca eleitoral, segundo pesquisas realizadas para consumo interno nos comitês de campanha dos candidatos à Presidência da República Aécio Neves (PSDB) e Dilma Rousseff (PT), a delação premiada do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa eriça o ninho tucano. Neves, segundo analistas políticos, estava 'nas cordas', pressionado por Marina Silva (PSB/Rede Sustentabilidade), mas agora ameaça uma reação, apesar das consequências que ainda poderão surgir contra ele próprio. Segundo o jornalista Ricardo Kotscho, o presidenciável, isolado na terceira posição nas pesquisas depois da entrada de Marina na disputa, estava "outra pessoa", partindo para o ataque "sem pensar duas vezes". "Desde sexta-feira, quando saíram as primeiras revelações nos portais, não se fala de outra coisa no país: quais serão as consequências na campanha presidencial da delação premiada feita por Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras, que está preso em Curitiba, no Paraná? Os três candidatos reagiram de formas bem diferentes à nova configuração do quadro, que desde já coloca as denúncias de corrupção na Petrobras no centro do debate nesta reta final de campanha", avalia Kotscho. Ex-assessor de Imprensa na gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Kotscho acrescenta, em seu blog nesta segunda-feira, que "embora até aqui não tenham sido apresentadas provas de nada contra o ministro Edison Lobão, os ex-governadores Sergio Cabral e Eduardo Campos, a atual governadora Roseana Sarney, e os presidentes da Câmara, Henrique Eduardo Alves, e do Senado, Renan Calheiros, além de uma penca de parlamentares da base aliada do governo Dilma, só a volta do tema da Petrobras às manchetes já causam mudanças nas campanhas dos presidenciáveis". Num primeiro momento, a presidenta Dilma Rousseff, candidata à reeleição, "sabendo que vai ser o principal alvo dos ataques, fechou seu time na defesa e só disse que está esperando 'dados oficiais' para tomar 'todas as providências cabíveis, mas não posso fazer isso com base apenas em especulações'. Surpreendida mais uma vez, a presidenta pediu informações ao ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e convocou uma reunião de emergência ainda na noite de sexta-feira. Marina Silva preferiu ficar no meio de campo trocando passes, diz o jornalista: "Com o nome de Eduardo Campos também na lista dos beneficiários, a candidata do PSB espera o melhor momento de atacar sua principal adversária, sem saber ainda quais novas revelações serão feitas nos próximos dias. 'Não queremos ver o Eduardo morrer duas vezes', limitou-se a dizer. Aliados de Marina alegam que o envolvimento de Eduardo no caso não tem fundamento". "Já Aécio Neves, que não tinha mais nada a perder, quase 20 pontos atrás de suas duas adversárias, parecia outra pessoa no sábado. Revigorado pela delação premiada, aguardada ansiosamente, junto com os colunistas amigos, que há dias soltavam notinhas ameaçadoras, o ex-governador mineiro foi logo ao ataque sem pensar duas vezes. 'O Brasil acordou perplexo com as mais graves denúncias de corrupção da nossa história recente. Está aí o 'mensalão 2', foi logo comemorando. Sem bandeiras e sem rumo, sem mais ter o que falar ou propor, Aécio agora ganhou de bandeja pelo menos um discurso", afirmou. Alto risco Enquanto Aécio Neves discursa para a plateia com vigor contra a corrupção na Petrobras, a conversa é outra entre as quatro paredes do comitê de campanha. O candidato tucano compareceu, no sábado, a uma reunião convocada às pressas para discutir o impacto e o alcance das denúncias publicadas na revista semanal de ultradireita Veja, deste fim de semana. O envolvimento do PP, do senador Ciro Nogueira (PI), amigo pessoal do tucano, em um suposto esquema de corrupção envolvendo fornecedores da Petrobras, transformou-se em um perigo para a candidatura do PSDB, uma vez que o partido integra a base tucana em Minas Gerais há pelo menos 16 anos, comanda o governo estadual com o governador Alberto Pinto Coelho e indicou o candidato a vice na chapa de Pimenta da Veiga, o deputado Dinis Pinheiro, presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais. Fontes do Palácio Tiradentes afirmaram a jornalistas, sob a condição do anonimato, que a primeira reação de Neves, seguindo orientações da irmã Andrea Neves, foi tentar circunscrever as denúncias ao PT. O tucano publicou um vídeo em sua página no Facebook, no qual se diz "perplexo" e acusa o partido de patrocinar um "assalto às nossas empresas públicas". O ataque, porém, teria desagradado o próprio PP e também o PMDB do Rio de Janeiro, partido do ex-governador Sério Cabral, de quem Aécio Neves também é amigo pessoal, e que tentava colocar de pé no estado a chapa Aezão (mistura de Aécio Neves e Pezão, candidato peemedebista ao governo fluminense). A apreensão ocorrer porque não se sabe, com exatidão, o tamanho das denúncias que Veja e outros veículos de comunicação ainda publicarão com base nos depoimentos que Paulo da Costa vem concedendo desde o dia 29 à Polícia Federal, sob a proteção da delação premiada. A revista aponta Cabral como um dos supostos beneficiários do esquema. Roberto da Costa, no entanto, ingressou na Petrobras pela indicação de José Janene, que era do mesmo PP de Alberto Pinto Coelho e Dinis Pinheiro. Censura prévia Na tentativa de conter o prejuízo à sua campanha, Aécio Neves abriu uma segunda frente de batalha, dessa vez contra a blogosfera, na tentativa de censurar centenas de jornalistas e blogueiros na internet. Segundo apurou a revista online Fórum, o candidato tucano abriu, no último dia 26, um processo contra o Twitter, com o objetivo de conseguir os registros cadastrais e eletrônicos de 66 perfis de usuários do microblog. O tucano pede valores entre R$ 10 mil R$ 70 mil, caso as informações não sejam fornecidas em até 48 horas. Ele alega a existência de uma rede orquestrada para disseminação de ofensas e mentiras sobre sua candidatura e vida pessoal, insinuando que as pessoas citadas seriam pagas para cometer os supostos atos de difamação. O escritor e crítico de cinema Pablo Villaça – do blog Diário de Bordo – está entre eles, e diz ter recebido a notícia da ação com surpresa. – É um absurdo, uma decisão absolutamente antidemocrática. Ele não tem a menor noção do que é liberdade de expressão. Sou de Minas Gerais e lá todo mundo conhece as histórias de censura, ligações de madrugada e demissões de jornalistas. É algo inacreditável – afirmou. Sobre as acusações feitas por Aécio Neves de que haveria uma rede paga para difamá-lo, Villaça diz que está estudando a possibilidade de processar o candidato tucano. – Acho ótimo, cabe a ele provar que isso existe. Eu milito politicamente desde os 18 anos. Minha mãe combateu a ditadura, minha tia foi presa e torturada. E ainda insinua que sou pago para militar – disse. O blogueiro ressaltou, ainda, que essa atitude pode prejudicar ainda mais a situação do PSDB nas urnas, pois a polêmica nas vésperas das eleições só viria a reforçar a imagem que o candidato tem de não respeitar opiniões divergentes. Para o jornalista Altamiro Borges, autor do Blog do Miro, dono de um dos perfis citados na ação, Neves foi além da conta. Miro soube do caso por meio de amigos que o avisaram, após o documento ter vazado na internet. – Preciso ver o que está acontecendo para tomar medidas jurídicas. O que não dá é para deixar esses caras posarem de defensores da liberdade. Aécio Neves fica com esse discurso de liberdade de expressão, diz que a Dilma quer censurar a mídia, mas ele é o maior censor do Brasil. Não tolera críticas – rebateu. O juiz responsável deferiu a ação e deu cinco dias para o Twitter liberar os dados. Porém, a empresa pode recorrer da decisão. A Justiça também solicitou que Aécio Neves apresente, em 10 dias, quais mentiras foram ditas sobre ele. A assessoria do candidato foi procurada para comentar o caso, mas não atendeu as ligações.
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