O Índice de Confiança da Indústria (ICI), medido pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV), cresceu pela segunda vez seguida, passando de 75,3 pontos para 76,3 pontos entre janeiro e fevereiro. De acordo com a análise técnica do Ibre/FGV, apesar do aumento, o índice é o quarto menor da série histórica iniciada em abril de 1995, superando apenas os resultados de outubro de 1998 (71,2 pontos); dezembro de 2008 (74,7 pontos) e janeiro de 2009 (75,3 pontos).
Quanto às perspectivas para os próximos meses, o levantamento mostra que, em comparação com janeiro, o Índice de Expectativas (IE) teve recuperação, passando de 72,5 pontos para 75,2 pontos. Já o Índice da Situação Atual (ISA) recuou de 78,1 para 77,4 pontos.
A pesquisa mostra ainda que o pessimismo do setor diminuiu. De um total de 1.072 empresas consultadas, 23,4% declararam acreditar na melhora no cenário econômico, ante o percentual de 12,8% verificado em janeiro. Já índice dos que prevêem uma situação pior nos negócios entre fevereiro e julho deste ano chegou a 37% do total de entrevistados, ante 35,8% em janeiro.
Crescimento
Junto aos analistas de mercado, porém, a maioria espera menor crescimento da economia no próximo ano. A informação consta do boletim Focus, publicação semanal do Banco Central (BC) elaborada com base em projeções de analistas de mercado para os principais indicadores da economia. De acordo com o boletim, a estimativa para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), soma de todos os bens e serviços produzidos no país, caiu de 3,60% para 3,50% em 2010. Para este ano, é mantida a projeção de 1,5% há duas semanas. A menor expectativa de crescimento da economia se deve à crise financeira internacional, que reduz a atividade econômica no país.
Os analistas também diminuíram a projeção para o crescimento da atividade industrial de 1,30% para 1,24% neste ano, mas mantiveram a estimativa de 4% para 2010. A projeção para a relação entre PIB e dívida líquida do setor público caiu de 36,10% para 36% ao final deste ano. Quanto menor esse percentual, maior é a confiança do investidor sobre a capacidade de o país honrar os seus compromissos. A estimativa do Banco Central é fechar o ano com essa relação em 35%. Em janeiro esse percentual ficou em 36,6%.
Segundo o boletim, a projeção para o investimento estrangeiro direto (dinheiro que entra na parte produtiva da economia e que é caracterizado pelo interesse duradouro do investidor no empreendimento) permaneceu em US$ 23 bilhões, em 2009, e em US$ 25 bilhões, em 2010. A estimativa para a taxa de câmbio ao final de 2009 foi mantida em R$ 2,30 e para 2010 foi ajustada de de R$ 2,27 para R$ 2,28. Para o superávit comercial (saldo positvo de exportações menos importações), a projeção foi ajustada de US$ 13,6 bilhões para US$ 13 bilhões, em 2009, e de US$ 13 bilhões para US$ 13,35 bilhões, no próximo ano.
A expectativa para o déficit em conta corrente (todas as operações do Brasil com o exterior) em 2009 foi ajustada de US$ 25 bilhões para US$ 24,85 bilhões e mantida em US$ 26,31 bilhões no próximo ano.
Juros
Ainda segundo o boletim Focus, a Selic, ao final deste ano, de 10,38% para 10,25%. Para a reunião deste mês do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC, que define a Selic, foi mantida a expectativa de que os juros básicos sejam reduzidos dos atuais 12,75% para 11,75%. Para o final de 2010, também não foi alterada a previsão de 10,25%.
Na hora de definir a Selic, o Copom leve em consideração, entre outros fatores, a trajetória e as expectativas para a inflação, que, na opinião dos analistas, deve fechar o ano em 4,66%. É uma das responsabilidades do Banco Central manter a inflação dentro da meta estabelecida pelo governo, que neste ano é de 4,5% com margem de dois pontos percentuais para mais ou para menos. A inflação oficial é medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).