Na Avenida Paulista – um dos endereços mais elegantes de São Paulo – o edifício da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) amanheceu em festa nesta quinta-feira. Presidente da instituição e uma das principais vozes contra a Contribuição Provisória sobre Movimentações Financeiras (CPMF), o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, disse que o fim da contribuição foi uma "vitória do Brasil".
– Representa uma sólida garantia de que vivemos um pleno e estável estado de direito. Foram ratificadas, em cada voto dos senadores, a independência dos poderes, o respeito às instituições e à liberdade cidadã na reivindicação de seus direitos – disse Skaf. Ele ressaltou que agora é o momento de um maior controle dos gastos públicos e de o governo aumentar a eficiência nos serviços públicos.
Ministros discordam
Para a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, e os ministros da Fazenda, Guido Mantega, e do Planejamento, Paulo Bernardo, reunidos no Palácio do Planalto desde às primeiras horas da manhã, para avaliar os impactos da rejeição pelo Senado, a derrota no Senado foi um fato lastimável. Para discutir o assunto no Palácio, Dilma cancelou sua participação em uma audiência pública na Câmara sobre o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) - a sessão foi transferida para o próximo dia 18.
Em entrevista logo depois da votação, o ministro de Relações Institucionais, José Múcio, reconheceu que a não prorrogação da CPMF até 2011 foi desfavorável ao governo.
– Essa foi uma derrota de muitos brasileiros que são atendidos hoje pelo recurso proveniente da CPMF. Evidentemente que todos vão ter que arcar com a responsabilidade, com o voto de cada um. O governo também com a sua parte. Lamentamos profundamente que a questão tenha sido politizada. Houve uma separação se era vitória do governo ou da oposição, esquecendo-se do tamanho da sociedade brasileira que tinha benefícios que eram atendidos pela CPMF – afirmou Múcio, em entrevista no Palácio do Planalto.
Ao ser indagado se o governo tem a intenção de reapresentar a CPMF nos moldes propostos na noite passada, ele disse que a idéia não é essa.
– Eu imagino, e vou ouvir os ministros da área econômica, que talvez, tenha que se dar uma solução diferente, mais emergencial, tratar com celeridade da questão da reforma tributária – disse.
Múcio reconheceu, ainda, que o governo tirou algumas lições "importantes" dessa derrota.
– Primeiro precisamos estreitar as nossas relações com o Senado. Precisamos ser mais parceiros dessa queda de braço. É ruim para o país, para o governo, para o Legislativo. Segundo, a necessidade de se ter uma reforma tributária, para que essas coisas periódicas ou transitórias não nos promovam a surpresa que nos promoveram essa noite – afirmou.
O ministro afirmou que o governo tem a "consciência tranqüila" de ter tentado o diálogo com a oposição e a base aliada nos últimos dias.
– Tentamos o acordo, mas de repente nos deparamos mais com uma disputa política do que com a procura de um caminho que apontasse para um benefício para a sociedade – concluiu.