Rio de Janeiro, 18 de Setembro de 2026

Enquanto Bovespa registra novo recorde, o dólar leva um tombo

Uma safra de dados econômicos e corporativos surpreendentemente positivos produziu saraivadas de ordens de compra de ações nas bolsas do mundo inteiro, movimento copiado pela bolsa paulista, que buscou os maiores níveis em quase 16 meses. No sentido inverso ao da Bovespa, o dólar caiu 1,33% nesta quarta-feira, para R$ 1,704. (Leia Mais)

Quarta, 14 de Outubro de 2009 às 16:59, por: CdB

Uma safra de dados econômicos e corporativos surpreendentemente positivos produziu saraivadas de ordens de compra de ações nas bolsas do mundo inteiro, movimento copiado pela bolsa paulista, que buscou os maiores níveis em quase 16 meses. O Ibovespa, índice com as ações mais importantes da bolsa brasileira, subiu 2,41%, fechando o dia a 66.201 pontos. O giro financeiro da sessão totalizou R$ 14,56 bilhões. O volume foi turbinado pelo vencimento dos contratos de índice futuro.

– Todos os dados do dia mostraram que o mundo está mostrando uma recuperação firme – disse Newton Rosa, economista-chefe da Sul América Investimentos.

No plano macroeconômico, o dia começou fortemente positivo, depois que a China reportou um forte crescimento das atividades de comércio exterior em setembro, movimento puxado pelas importações de commodities como ferro e cobre. O reflexo nos papéis de empresas ligadas ao setor foi instantâneo, sob liderança das siderúrgicas. A ação preferencial da Usiminas disparou 5,1%, a R$ 52,80, seguida por CSN, com um salto de 5%, para R$ 60,60.

O papel preferencial da gigante Vale ganhou 4,6%, cotada a R$ 40,41. Segundo profissionais do mercado, o noticiário positivo do dia facilitou a atuação dos comprados – investidores que apostam na alta dos papéis – perto do exercício de opções, que acontece na segunda-feira. Com intensidade menor, o mesmo movimento valeu para o papel preferencial da Petrobras, com avanço de 0,9%, a R$ 36,15.

Em outra frente, dados reforçaram a leitura de que a economia norte-americana está se levantando da recessão, como o de vendas no varejo e de estoques empresariais, que vieram acima das expectativas.

Dólar em queda

No sentido inverso ao da Bovespa, o dólar caiu 1,33% nesta quarta-feira, para R$ 1,704, refletindo a expectativa de continuidade da entrada de recursos no país em meio à progressiva melhora do cenário internacional. Foi a menor cotação de fechamento para o dólar desde 3 de setembro de 2008. Há um mês, o mercado se perguntava se o dólar teria força para romper o piso de R$ 1,80. Mas a taxa de câmbio rapidamente cedeu em meio ao fluxo cada vez maior de dólares ao país, estimulado pela corrida de investidores em todo o mundo para investir o excesso de liquidez após a crise em ativos mais arriscados e rentáveis.

– O mercado não consegue segurar. É muita entrada – disse Moacir Marcos Júnior, operador de câmbio da corretora Finabank.

Ele lembra o papel de destaque do Brasil na retomada global:

– É a bola da vez, e vai continuar sendo.

O destaque das últimas semanas, segundo dados divulgados pelo Banco Central nesta quarta-feira, foi a oferta de ações do Santander Brasil, que fez o BC comprar US$ 4,6 bilhões em apenas um dia e colocou o fluxo parcial de outubro em um nível duas vezes maior que todo o saldo de setembro, a US$ 3,73 bilhões.

Outras operações, porém, estão no horizonte do mercado, como a captação feita na véspera pelo Banco do Brasil ou as ofertas de ações de Cyrela e Cetip. Parte desses dólares, como ocorreu no caso do Santander, já circulam no mercado antes mesmo da liquidação das operações – os bancos oferecem a moeda, aumentam suas posições vendidas e aguardam a entrada efetiva dos recursos a uma taxa menor para se cobrir.

– Tem bastante gente vendida – disse Marcos Júnior, sinalizando uma aposta na valorização do real.

Nesta sessão, segundo Francisco Carvalho, gerente de câmbio da corretora BGC Liquidez, não houve nenhuma operação pontual que fosse determinante para a forte queda do dólar.

– É que lá fora está muito forte – concluiu.

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