Rio de Janeiro, 30 de Agosto de 2026

Energia paga ao Paraguai é mais barata do que a gerada aqui

Quinta, 12 de Maio de 2011 às 12:35, por: CdB

O acordo sobre energia com o Paraguai, finalmente aprovado pelo Senado (vejam post acima), conforme registra toda a mídia hoje triplica - de US$ 120 milhões para US$ 360 milhões - o valor pago pelo governo brasileiro ao país vizinho pelo custo de cessão da energia gerada na hidrelétrica binacional de Itaipu, pertencente aos paraguaios, mas não usada por eles.

A aprovação (ontem) foi precedida por um debate de cinco horas, no qual a oposição protestou contra a medida. Os senadores do DEM, PSDB e PPS, detiveram-se apenas neste fato de que o valor de US$ 120 milhões, pagos anualmente pelo Brasil ao governo  Paraguai, subirá para de US$ 360 milhões.

Os números apresentados pela oposição, no entanto, escondem alguns fatos. Segundo declarou com exclusividade a este blog a diretora financeira de Itaipu, Margaret Groff, o custo da geração do Megawatt/hora na usina é de US$ 43. Pelo tratado original, o Brasil pagava US$ 3 a mais pelo megawatt/hora na compra da energia excedente do vizinho.

Brasil pagará US$ 52 por megawatt/hora ao Paraguai

A proposta votada ontem, no Senado, eleva este valor para US$ 9. Ou seja, o Brasil pagará US$ 52 o megawatt/hora pela energia de Itaipu pertencente aos paraguaios. Mesmo este valor total (US$ 52) continua inferior ao que é pago pela energia nova gerada aqui mesmo, em outras usinas brasileiras, cotada a algo próximo a US$ 77.

“Não se trata da revisão do tratado, como muitos têm falado”, ressalta Margaret. “Mas da revisão do custo da cessão da energia”, frisa. Segundo ela, 7% de toda a energia elétrica consumida pelo Brasil é comprada dos paraguaios.

Pagamos US$ 77 por megawatt/hora gerado aqui


São cerca de 38 mil gigawatt/hora/ano, ou o equivalente à produção da Hidrelétrica de Tucuruí. E o impacto no preço para as distribuidoras de energia não passa de 0,5%. “É preciso lembrar que o faturamento de Itaipu é de US$ 3,5 bi por ano. E o que vamos pagar a mais (US$ 240 milhões/ano) terá pouco reflexo no Brasil”, argumenta.

Para Margaret, ainda que originalmente não estivesse contemplado no tratado de Itaipu, o aumento do custo da cessão de energia dos paraguaios é uma reivindicação justa. “É melhor pagar um pouco mais do que ter uma desavença com o nosso sócio em Itaipu”, argumenta.

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