O Brasil escalou mais um degrau no esforço de nacionalizar inteiramente o ciclo do combustível nuclear. A estatal Indústrias Nucleares do Brasil (INB) comemorou, nesta sexta-feira, a produção do milésimo primeiro elemento combustível produzido na Fábrica do Combustível Nuclear (FCN), instalada em Resende, no Estado do Rio de Janeiro. Esse é o primeiro elemento combustível fabricado com urânio enriquecido no Brasil pelo Centro Tecnológico da Marinha de São Paulo (CTMSP).
O diretor da Área de Produção Nuclear da INB, Samuel Fayad, afirmou que o milésimo primeiro combustível representa um marco importante, que são as pastilhas fabricadas com urânio enriquecido no território nacional.
- Isso marca principalmente a eficiência das usinas de Angra 1 e 2 e representa a transição entre uma nova geração de combustíveis, que serão instalados a partir da próxima recarga dos reatores da usina nuclear de Angra 2 - explicou.
A nacionalização completa do ciclo do combustível nuclear poderá ser atingida no espaço de seis anos, confirmou Fayad.
- As possibilidades são grandes de nos próximos seis anos atingirmos essa maturidade - disse.
Em termos da capacidade de produção industrial, ele salientou que isso dependerá da demanda.
- O domínio para fabricarmos certos componentes não significa que nós vamos fazer todo o ciclo no Brasil. Porque, economicamente, talvez não seja viável - ponderou.
Ele estimou que o novo combustível aumentará em torno de 8% a 10% a eficiência do reator de Angra 2. Em relação à Angra 1, apontou que o ganho poderá ser de cerca de 10% na produção de energia elétrica.
- E esperamos (que isso ocorra) já com os novos geradores de vapor, que começam a ser instalados a partir do mês de outubro - destacou.
Fayad lembrou que o novo elemento marca também a capacidade dos engenheiros e trabalhadores brasileiros da INB de inovar e de produzir combustível e equipamentos de alta qualidade, sem um único defeito até hoje. O diretor da INB esclareceu que esses combustíveis do tipo HTP ainda têm componentes adquiridos no exterior. Isso ocorre, principalmente, em relação aos que abastecem o reator de Angra 2, comprados na Europa. Esses elementos seguem a tecnologia do Acordo Brasil-Alemanha. Samuel Fayad salientou, no entanto, que o Brasil já tem parte desses componentes fabricada no país.
A estatal começou já a partir deste ano, na fábrica de Resende, o processo industrial de enriquecimento do urânio, em pequena escala. Fayad explicou que o processo é feito por etapas. Por isso, a empresa pretende agregar, ao longo dos anos, outro módulos, até atingir a meta de ter 60% das necessidades de Angra 1 e 2 atendidas em 2010. Alguns componentes continuarão a ser adquiridos no exterior.
- Só que dominando a fabricação, a tecnologia, como projetar. E, com isso, nós discutimos de outra forma com os parceiros do setor, melhorando a nossa performance de industrialização e também a deles - concluiu.