Rio de Janeiro, 07 de Setembro de 2026

Encurralado, Berlusconi tenta salvar governo do caos

Sexta, 15 de Abril de 2005 às 15:40, por: CdB

Lutando para evitar o colapso do seu governo de quatro anos, o premiê da Itália Silvio Berlusconi disse na sexta-feira que está confiante em superar os conflitos dentro da sua coalizão e permanecer no poder.

A situação do seu governo se agravou horas antes, quando um dos seus aliados, a União dos Democratas Cristãos (UDC), retirou seus quatro ministros do gabinete.

A UDC disse que só vai voltar ao governo se Berlusconi reformular o ministério e suas prioridades políticas, depois da surra eleitoral sofrida nas recentes eleições regionais.

Após uma reunião de emergência à tarde, Berlusconi disse a jornalistas que não há problemas intransponíveis, mas alertou que a convocação de eleições antecipadas será inevitável se a UDC não retornar à coalizão.

- Isso me parece inevitável - disse ele, após a reunião, dirigindo-se para uma rápida visita a antiquários romanos.

Ele afirmou que "não há diferenças em absoluto" a respeito de políticas.

- Não vejo nada que impeça um acordo e a continuação do governo deste país.

Berlusconi e sua coalizão de centro-direita estão no poder desde 2001 - é o governo italiano mais longo desde a Segunda Guerra Mundial. Mas sua popularidade vem caindo de forma constante devido à estagnação econômica. Nas eleições deste mês, os partidos do governo foram derrotados em 11 das 13 regiões que elegeram governadores.

A UDC disse que essa derrota demonstra que o governo precisa mudar suas figuras e suas políticas se quiser vencer as eleições gerais, previstas para 2006.

Determinado a cumprir seus cinco anos de mandato, Berlusconi havia anteriormente se recusado a considerar uma reformulação da sua coalizão, mas na sexta-feira deu sinais de que pode ceder.

- Os aliados me deram a escolha sobre eventuais novos rostos no gabinete - afirmou.

A oposição de centro-esquerda disse que a Itália, que sofre uma prolongada retração industrial, não pode suportar uma crise política duradoura e por isso exigiu a renúncia de Berlusconi.

- A decisão da UDC de retirar seus ministros cria uma crise política que não pode ser escondida ou disfarçada - disse Piero Fassino, líder do principal partido de oposição, o Democrático da Esquerda.

- O primeiro-ministro deve renunciar hoje.

Por causa de detalhes constitucionais, Berlusconi provavelmente teria de renunciar, mesmo que temporariamente, para reformular o gabinete. Ele então iria ao Parlamento para buscar o apoio para recompor o governo.

O líder da UDC, Marco Follini, deixou a reunião de sexta-feira sem dar declarações. Ele afirmou que vai decidir no fim-de-semana se aceita as propostas de reformulações feitas por Berlusconi.

A UDC disse que pode apoiar o governo no Parlamento mesmo que fique sem ministérios, mas esse "apoio externo" pode deixar o primeiro-ministro sem maioria formal, o que o deixaria exposto a derrotas.

A crise na coalizão é uma boa notícia para Romano Prodi, o ex-presidente da Comissão Européia (Poder Executivo da UE), que voltou de Bruxelas para comandar a esquerda italiana. Ele não se manifestou por eleições antecipadas e parece estar usando o tempo para consolidar sua base de apoio.

Sempre otimista, Berlusconi aconselhou seus adversários a não comemorarem ainda.

- Vocês não vão se livrar de mim tão facilmente - disse ele a jornalistas.

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