Rio de Janeiro, 07 de Setembro de 2026

Encontro na Venezuela reconcilia países vizinhos

Terça, 29 de Março de 2005 às 13:43, por: CdB

A reunião que ocorre nesta terça-feira (29) entre os presidentes do Brasil, do governo espanhol, da Venezuela e da Colômbia "consolida e ratifica a reconciliação" entre esses paises vizinhos, afirma Javier Valenzuela, diretor geral de informação do governo espanhol.

- A foto da reunião e a mensagem - disse ele aos jornalistas que acompanham o encontro entre Luiz Inácio Lula da Silva, Jose Luiz Zapatero, Hugo Chávez e Álvaro Uribe.

Segundo o porta-voz espanhol, também devem ser discutidos temas relativos à integração na região e no âmbito da Comunidade Ibero-Americana, da qual fazem parte os quatro paises.

Um rascunho da declaração conjunta, ainda em negociação, faz menção a cooperação internacional na luta contra a fome e a pobreza, citando declaração do presidente Lula:

- A pobreza é a arma de destruição de massa mais poderosa do mundo.

O texto que ainda está sendo negociado pelos diplomatas dos quatro paises também cita a necessidade de cooperação nas áreas policial e judicial para o combate ao terrorismo. A Espanha enfrenta há anos os atentados do grupo separatista basco ETA, considerado
terrorista. Segundo Valenzuela, a Espanha também reconhece a necessidade de, a longo prazo, erradicar os "campos de cultivo" do terrorismo: situações políticas injustas como a enfrentada pelos palestinos, além da pobreza e da fome no mundo todo.

Segundo o porta-voz, a Espanha integra o Plano Colômbia, junto com os Estados Unidos, e considera terroristas as Forças Armadas Revolucionárias de Colômbia (Farc). Em dezembro, Rodrigo Granda, membro das Farc, foi capturado em Caracas por mercenários e entregue à polícia colombiana depois de ter sido levado até a fronteira dos dois países, em troca de uma recompensa estimada em US$ 1,5 milhão. Na época, Chávez classificou o pagamento como "suborno" e disse que o caso se constituía em violação da soberania nacional venezuelana.

Valenzuela confirmou que, em Caracas nesta quarta-feira, Zapatero deve assinar acordo para a venda de aviões de transporte e barcos-patrulha a Venezuela.

- Ao contrário do que estão dizendo alguns órgãos de imprensa, não se trata de material ofensivo, nem bélico. Não se trata de nada utilizável em caso de circunstancias bélicas.

Ao visitar o Brasil na semana passada, o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Donald Rumsfeld disse ter conhecimento da intenção da Venezuela de adquirir do Brasil 100 mil fuzis AK-47 e afirmou estar preocupado com o assunto. Para o secretário norte-americano, a compra dos armamentos não seria um benefício em si para o hemisfério Sul e colaboraria para aumentar a preocupação dos EUA com a interferência política de Hugo Chávez em outros países

Neste momento, a reunião presidencial está em curso, nas instalações do Complexo Macagua, perto de uma das usinas hidrelétricas instaladas ao longo do rio Caroni. Ao final da tarde, será divulgado um documento conjunto, e os quatro presidentes também devem fazer declarações individuais.

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