Líderes mundiais concordaram neste sábado em "se empenhar" para finalizar as longas conversas sobre a Rodada de Doha até o final do ano e garantiram não levantar novas barreiras comerciais nos próximos 12 meses.
– Há um esforço determinado para ver se nós não podemos completar as modalidades de Doha até o final de dezembro – afirmou o presidente norte-americano, George W. Bush, referindo-se aos principais detalhes de como os países irão cortar os subsídios agrícolas e as tarifas sobre bens agrícolas e manufaturados.
A reunião do G20, para tratar da crise financeira global, reuniu importantes participantes da Rodada de Doha, incluindo os Estados Unidos, a União Européia, Brasil, China, Japão, Austrália, Grã-Bretanha, França, entre outros.
– Este é um objetivo difícil, mas um que temos que levantar nesta ocasião para alcançarmos – disse o primeiro-ministro australiano, Kevin Rudd.
A Rodada de Doha foi deixada de lado de uma crise a outra desde que os países decidiram iniciar as negociações na capital do Catar, no dia 14 de novembro de 2001.
Com a saída de Bush do governo em 20 de janeiro, vários países gostariam de resolver os fundamentos do acordo de Doha antes que seu sucessor, o presidente eleito Barack Obama, assuma o controle do país.
– Se há uma vontade política, seria bom se nós pudéssemos chegar a um acordo na Rodada de Doha com a atual administração norte-americana – afirmou a chanceler alemã, Angela Merkel.
Do discurso à ação
O diretor-geral da Organização Mundial de Comércio (OMC), Pascal Lamy, disse em um comunicado que o documento do G20 forneceu à Rodada de Doha um "estímulo político bastante necessário".
– O que nós precisamos agora é que essa forte demonstração de apoio seja traduzida em ação na mesa de negociação – acrescentou Lamy.
No documento, os líderes concordaram em trabalhar em prol de um acordo nas próximas oito semanas, que produza um "resultado ambicioso e balanceado".
– Nós instruímos nossos ministros de comércio a alcançar este objetivo e estamos prontos para ajudar diretamente, se preciso. Nós também concordamos que nossos países têm a maior participação no sistema de comércio global e, portanto, cada um deve fazer contribuições positivas necessárias para atingir tal resultado – disseram os líderes.
A reunião dos ministros de Comércio em Genebra, em julho, chegou bem perto de romper o impasse de Doha, mas esse esforço entrou em colapso quando os Estados Unidos se opuseram a colegas do G20, Índia e China, sobre os termos de um "mecanismo de salvaguarda especial" para proteger produtores de países pobres do aumento das importações.