Vinte milhões de reais em recursos, que poderão ser aumentados, lançamento de edital para final de março e prazo de até cinco anos para o desenvolvimento de projetos. Esse foi o resultado do encontro que reuniu, em fevereiro, na sede da Faperj, representantes do Ministério da Saúde, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e de quatro Fundações de Amparo à Pesquisa (FAPs) – Amazonas, Pará, Minas Gerais e Rio de Janeiro – para a criação da Rede para estudo da malária. Além dessas FAPs, também integrarão a rede as Fundações dos estados de Mato Grosso, Maranhão e São Paulo, totalizando sete FAPs.
Na ocasião, foram definidos os aspectos básicos do programa com que se pretende canalizar os resultados de pesquisas científicas integradas sobre a doença para a implementação de políticas públicas de saúde.
Durante a reunião, que deu seguimento aos encontros de uma primeira fase de discussões para definir o formato do programa, foram acertadas questões fundamentais, como recursos e prazos para o funcionamento da Rede. Um dos pontos que mais se enfatizou foi a integração entre pesquisas e demandas da sociedade, na área de saúde.
– Na Rede Malária, as pesquisas se voltam tanto para o desenvolvimento de vacinas e mapeamento genético de vetores, quanto para o aprimoramento de serviços de atendimento à população. Ou seja, há o compromisso com soluções para o controle e tratamento da doença – enfatizou Siqueira.
– Temos visto pouco impacto dos resultados de pesquisas científicas em curso atualmente sobre a situação do país. Precisamos acelerar não apenas a formação da rede, mas o desenvolvimento de pesquisas específicas e a aplicação imediata de seus resultados na implementação de políticas públicas junto ao Sistema Único de Saúde (SUS). Tudo isso é da maior relevância – ponderou o representante do ministério, Luís Eugenio.
Segundo Luís Eugenio, é preciso estabelecer como meta a redução, até 2011, de 40% no número de novos casos da doença e de 10% nas internações.
– Esta seria uma forma de demonstrar o impacto da pesquisa científica sobre as políticas de saúde – afirmou.
Para que isso aconteça, o representante do ministério enfatizou a "necessidade cada vez mais urgente de se criar mecanismos para transferência de conhecimento, tanto para os órgãos de saúde nos vários níveis de governo quanto para a indústria".
Como lembrou o professor Odenildo Senra, a Rede Malária surgiu a partir de demanda levantada pelas FAPs, particularmente a do Amazonas.
– E já estamos nos encaminhando rapidamente para acertar os detalhes pendentes do edital – disseu.
Como endossou Siqueira, a expectativa com a criação da Rede Malária é grande. O primeiro dos pontos debatidos foi com relação ao montante total do programa e a definição de quanto seria disponibilizado como aporte inicial. Considerando-se que, a princípio, os gastos são maiores com a capacitação de mão-de-obra e a própria estruturação dos grupos de pesquisa, ficou definido que esse primeiro aporte de recursos será de R$ 20 milhões, disponibilizados pelo Ministério da Saúde, CNPq e FAPs.
A partir de avaliações anuais, aqueles projetos que apresentarem bons resultados poderão ter o seu prazo dilatado, para até cinco anos, situação em que serão aportados mais recursos financeiros pelos participantes.
– Queremos financiar uma rede que permita racionalizar recursos e procedimentos, não grupos de pesquisa. Caso contrário, fica difícil gerir os resultados, que em muitos casos terminam pulverizados. É neste sentido que a idéia da rede é inovadora. A palavra de ordem que me passa pela cabeça é racionalização – disse o presidente da Fapeam.
A integração dos projetos – e os subprojetos que abrange - será, por sinal, um dos elementos analisados no julgamento das propostas.
– Na nossa concepção, esses subprojetos devem operar em sintonia. Para isso, vamos também propor mecanismos de interatividade – completou Siqueira.
Outra questão levantada foram os investimentos internacionais para pesquisas e para o desenvolvimento de uma vacina, além de uma busca maior por parte de pesquisadores brasileiros por essas verbas.
– Entre as doenças negligenciadas, a que mais recebe recursos internacionais é a malária. Mas no Brasil são poucas as tentativas de também concorrer a esses recursos. Devemos lembrar os investimentos de Bill Gates para a elaboração de uma vacina contra a malária, doença endêmica na África. Precisamos nos integrar à rede internacional – advertiu Barral, um dos coordenadores da rede a ser formada.
Para o diretor-presidente da FAPERJ, Ruy Marques, o encontro foi de grande importância, já que nele se conseguiu chegar aos acertos finais para o programa.
– Acredito que seja por meio do entendimento entre as FAPs e as agências federais de fomento à pesquisa que chegaremos a elaborar estratégias de real valor para o enfrentamento de diversas dessas doenças negligenciadas – disse.
Encontro define rede para estudo da malária
Vinte milhões de reais em recursos, que poderão ser aumentados, lançamento de edital para final de março e prazo de até cinco anos para o desenvolvimento de projetos. Esse foi o resultado do encontro que reuniu representantes do Ministério da Saúde e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), entre outros, para a criação da Rede para estudo da malária. (Leia Mais)
Quarta, 25 de Fevereiro de 2009 às 11:07, por: CdB