Rio de Janeiro, 07 de Outubro de 2026

Encontro define rede para estudo da malária

Vinte milhões de reais em recursos, que poderão ser aumentados, lançamento de edital para final de março e prazo de até cinco anos para o desenvolvimento de projetos. Esse foi o resultado do encontro que reuniu representantes do Ministério da Saúde e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), entre outros, para a criação da Rede para estudo da malária. (Leia Mais)

Quarta, 25 de Fevereiro de 2009 às 11:07, por: CdB

Vinte milhões de reais em recursos, que poderão ser aumentados, lançamento de edital para final de março e prazo de até cinco anos para o desenvolvimento de projetos. Esse foi o resultado do encontro que reuniu, em fevereiro, na sede da Faperj, representantes do Ministério da Saúde, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e de quatro Fundações de Amparo à Pesquisa (FAPs) – Amazonas, Pará, Minas Gerais e Rio de Janeiro – para a criação da Rede para estudo da malária. Além dessas FAPs, também integrarão a rede as Fundações dos estados de Mato Grosso, Maranhão e São Paulo, totalizando sete FAPs.

Na ocasião, foram definidos os aspectos básicos do programa com que se pretende canalizar os resultados de pesquisas científicas integradas sobre a doença para a implementação de políticas públicas de saúde.

Durante a reunião, que deu seguimento aos encontros de uma primeira fase de discussões para definir o formato do programa, foram acertadas questões fundamentais, como recursos e prazos para o funcionamento da Rede. Um dos pontos que mais se enfatizou foi a integração entre pesquisas e demandas da sociedade, na área de saúde. 

– Na Rede Malária, as pesquisas se voltam tanto para o desenvolvimento de vacinas e mapeamento genético de vetores, quanto para o aprimoramento de serviços de atendimento à população. Ou seja, há o compromisso com soluções para o controle e tratamento da doença – enfatizou Siqueira. 

– Temos visto pouco impacto dos resultados de pesquisas científicas em curso atualmente sobre a situação do país. Precisamos acelerar não apenas a formação da rede, mas o desenvolvimento de pesquisas específicas e a aplicação imediata de seus resultados na implementação de políticas públicas junto ao Sistema Único de Saúde (SUS). Tudo isso é da maior relevância – ponderou o representante do ministério, Luís Eugenio.

Segundo Luís Eugenio, é preciso estabelecer como meta a redução, até 2011, de 40% no número de novos casos da doença e de 10% nas internações. 

– Esta seria uma forma de demonstrar o impacto da pesquisa científica sobre as políticas de saúde – afirmou.

Para que isso aconteça, o representante do ministério enfatizou a "necessidade cada vez mais urgente de se criar mecanismos para transferência de conhecimento, tanto para os órgãos de saúde nos vários níveis de governo quanto para a indústria".

Como lembrou o professor Odenildo Senra, a Rede Malária surgiu a partir de demanda levantada pelas FAPs, particularmente a do Amazonas. 

– E já estamos nos encaminhando rapidamente para acertar os detalhes pendentes do edital – disseu.

Como endossou Siqueira, a expectativa com a criação da Rede Malária é grande. O primeiro dos pontos debatidos foi com relação ao montante total do programa e a definição de quanto seria disponibilizado como aporte inicial. Considerando-se que, a princípio, os gastos são maiores com a capacitação de mão-de-obra e a própria estruturação dos grupos de pesquisa, ficou definido que esse primeiro aporte de recursos será de R$ 20 milhões, disponibilizados pelo Ministério da Saúde, CNPq e FAPs.

A partir de avaliações anuais, aqueles projetos que apresentarem bons resultados poderão ter o seu prazo dilatado, para até cinco anos, situação em que serão aportados mais recursos financeiros pelos participantes. 

– Queremos financiar uma rede que permita racionalizar recursos e procedimentos, não grupos de pesquisa. Caso contrário, fica difícil gerir os resultados, que em muitos casos terminam pulverizados. É neste sentido que a idéia da rede é inovadora. A palavra de ordem que me passa pela cabeça é racionalização – disse o presidente da Fapeam.

A integração dos projetos – e os subprojetos que abrange - será, por sinal, um dos elementos analisados no julgamento das propostas. 

– Na nossa concepção, esses subprojetos devem operar em sintonia. Para isso, vamos também propor mecanismos de interatividade – completou Siqueira.

Outra questão levantada foram os investimentos internacionais para pesquisas e para o desenvolvimento de uma vacina, além de uma busca maior por parte de pesquisadores brasileiros por essas verbas. 

– Entre as doenças negligenciadas, a que mais recebe recursos internacionais é a malária. Mas no Brasil são poucas as tentativas de também concorrer a esses recursos. Devemos lembrar os investimentos de Bill Gates para a elaboração de uma vacina contra a malária, doença endêmica na África. Precisamos nos integrar à rede internacional – advertiu Barral, um dos coordenadores da rede a ser formada.

Para o diretor-presidente da FAPERJ, Ruy Marques, o encontro foi de grande importância, já que nele se conseguiu chegar aos acertos finais para o programa.

– Acredito que seja por meio do entendimento entre as FAPs e as agências federais de fomento à pesquisa que chegaremos a elaborar estratégias de real valor para o enfrentamento de diversas dessas doenças negligenciadas – disse.

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