O encontro de dois grupos estudantis acabou em pancadaria no fim da manhã da última quinta-feira no centro da cidade. Eles foram às ruas pelo mesmo motivo: protestar contra o aumento da passagem de ônibus de R$1,30 para R$1,50, em vigor desde 31 agosto.
No entanto, o confronto de opiniões com relação ao uso de bandeiras partidárias durante o protesto resultou em um festival de socos e pontapés. Até a haste da bandeira foi usada como 'arma de guerra'.
Durante o confronto, bandeiras do Partido Socialista dos Trabalhadores Unificados (PSTU) foram rasgadas em praça pública. Em menos de dez minutos, o tumulto foi contido por policiais. A movimentação dos estudantes pelas ruas de Salvador permaneceu durante todo o dia.
Repetindo uma cena comum dos primeiros dias de manifestação, que teve início em setembro, voltaram a fechar o trânsito, provocando congestionamento em algumas áreas.
Com o apoio da Central Única dos Trabalhadores (CUT), a concentração do grupo com bandeiras na praça do Campo Grande começou por volta das 10h. A Federação das Associações de Bairros de Salvador (Fabs) conseguiu cinco ônibus e levou para o Campo Grande moradores dos bairros de Cajazeiras, Sussuarana, Pau da Lima, Plataforma, Uruguai, Nordeste de Amaralina e Saramandaia. Antes de ganharem as ruas do centro da cidade, todos participaram de uma 'aula pública de cidadania'.
Munidos de microfones, os líderes estudantis reforçavam para os colegas a importância se manterem firmes no propósito de reduzir o preço da passagem de ônibus e também criticaram as administrações municipal e estadual. Na oportunidade, aproveitaram para lembrar que graças às mobilizações, conseguiram a meia-passagem para estudantes em Lauro de Freitas e a extensão do benefício em Salvador, nos domingos e feriados.
- Estudantes na rua. Prefeito, a culpa é sua - bradavam os manifestantes.
Já passava das 10h30 quando o grupo deixou o local em direção à Praça Municipal.
- Fomos a primeira entidade que se manifestou contra o aumento da tarifa de ônibus. Essa não é uma luta só dos estudantes, mas sim, de todos os movimentos sociais. É uma luta pela inclusão social. Em uma cidade com maioria carente, como é Salvador, não podemos aceitar tarifas tão abusivas - considerou a presidente da Fabs, Ivone Bispo.
Embora não tenham parado o trânsito, os estudantes alertaram que, dependendo do nível da mobilização, podem continuar nas ruas até conseguirem a maior das conquistas, que é a redução do preço da tarifa de ônibus.
- A depender das adesões, podemos voltar a fechar as ruas - garantiu Daniele Costa, da executiva estadual da União da Juventude Socialista (UJS).
Do lado dos sem bandeiras, as estudantes do colégio Severino Vieira, Camila Moreira, Érica Alves e Tânia Alves consideraram que grupos políticos estavam usando a luta dos estudantes para se promover.
- A gente está na rua com o objetivo de conseguir reduzir o preço da passagem, mas tem gente querendo se promover, e isso, a gente não aceita - opinaram.
De acordo com Érica Alves, durante as assembléias realizadas anteriormente os estudantes entraram em consenso e decidiram que não haveria bandeiras nas manifestações.
- Nosso grupo é forte e não está nas ruas para brincadeira. O principal objetivo das mobilizações é sensibilizar o prefeito para uma causa do povo. O que está em jogo não é apenas R$0,20, mas sim, o que a soma da diferença de todas as passagens representa no orçamento de uma família - afirmou a estudante Mariana Sobral, do 3º ano do Colégio severino Vieira, Mariana Sobral, que pega quatro ônibus por dia.
Enquanto o grupo com bandeiras seguia em direção à Praça Municipal, a outra facção do movimento permaneceu na Praça da Piedade discutindo qual seria o rumo que o grupo tomaria. A idéia era também seguir para a Praça Municipal, porém, para evitar maiores confrontos, decidiram evitar um
Encontro de grupos estudantis da Bahia acaba em pancadaria
Sexta, 10 de Outubro de 2003 às 00:09, por: CdB