Rio de Janeiro, 18 de Setembro de 2026

Enchentes mataram 500 no Haiti e na República Dominicana

Quarta, 26 de Maio de 2004 às 07:08, por: CdB

Enchentes e deslizamentos mataram mais de 500 pessoas na República Dominicana e no Haiti, disseram autoridades dos dois países caribenhos na terça-feira. Na localidade haitiana de Fond Verettes, uma das mais atingidas, as águas ocuparam o leito de um rio que até a véspera estava seco e transbordaram para as ruas, arrastando prédios ou soterrando-os sob toneladas de detritos. Pelo menos 158 pessoas morreram na cidade, que tem 40 mil habitantes, segundo autoridades locais.

Margareth Martin, diretora da Defesa Civil na região sudeste do Haiti, disse que pelo menos 200 pessoas morreram na área sob sua jurisdição. A inundação aconteceu após vários dias de chuvas torrenciais na ilha Hispaniola, que é dividida pelo Haiti e pela República Dominicana. Há milhares de desabrigados.

Militares canadenses e norte-americanos estão levando helicópteros com água e mantimentos à área mais atingida do Haiti, segundo um porta-voz da força de paz internacional no país.
Cerca de 135 pessoas foram mortas na região de Jimani, no oeste da República Dominicana, perto da fronteira com o Haiti, e mais de 200 estão desaparecidas, de acordo com as autoridades. Dez pessoas morreram em outras partes da República Dominicana.

Em Fond Verettes, Joane Saint Fort, de16 anos, voltou de uma viagem à capital e descobriu que sua casa e sua família não existiam mais. "Fui visitar minha tia em Porto Príncipe no fim de semana. Agora voltei e não consigo encontrar minha casa. Minha mãe e dois irmãos menores estavam vivendo aí", afirmou, percorrendo os escombros.

A inundação atingiu uma área de cerca de 240 mil metros quadrados na cidade. O tribunal e o escritório da Receita foram destruídos. Só metade da delegacia ficou de pé.

"Parece que houve muitas vítimas que foram arrastadas para fora da cidade ou que podem ter sido soterradas", disse o coronel Glen Sachtleben, chefe de pessoal da força multinacional, enquanto caminhava sobre os destroços.

Pelo menos 540 casas foram destruídas ou soterradas, outras 1.500 foram danificadas e cerca de 3 mil pessoas precisaram de ajuda emergencial, de acordo com um funcionário da ONU que visitou a região.

Além dos mortos em Fond Verettes, há cerca de outras 40 vítimas fatais no sudeste do país e outras 20 no leste, perto da fronteira com Jimani, segundo fontes do governo e de entidades humanitárias.

"Isto é um desastre. Estamos pedindo a ajuda dos amigos do Haiti", disse o primeiro-ministro Gerard Latortue após viajar à região em um helicóptero canadense. As tropas internacionais, cerca de 3.500, estão no Haiti para restaurar a ordem depois da rebelião que levou à fuga do presidente Jean-Bertrand Aristide, em fevereiro. Um contingente brasileiro está deve chegar ao país nos próximos dias.

Com uma população de 8 milhões de pessoas, o Haiti é o país mais pobre das Américas. A vizinha Dominicana, com 8,5 milhões, é mais próspera, mas partes do país, como a região de Jimani, ainda são bastante pobres.

A devastação em Jimani aconteceu quando um rio transbordou, na segunda-feira, atingindo bairros pobres e destruindo centenas de casas precárias.

Vários sobreviventes contaram que estavam dormindo quando as águas começaram a entrar nas casas. "Foi tudo muito rápido, não pude fazer nada", disse Ramón Pérez Feliz, que perdeu uma irmã e dois sobrinhos. "Eu fui salvo porque a corrente me jogou para longe, para fora do leito do rio."

As TVs locais mostraram dezenas de corpos empilhados no necrotério de Jimani, muitas delas crianças, algumas cobertas de barro. Equipes de resgate dizem que ainda podem resgatar mais cadáveres.

"Foi uma grande tragédia", disse o presidente dominicano, Hipólito Mejía, que enviou médicos do Exército, suprimentos hospitalares e alimentos para os abrigos montados para as vítimas.
O serviço dominicano de meteorologia disse que houve precipitações de cerca de 25 centímetros na região de Jimani nas últimas 24 hor

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