Em estado de choque, vítimas das enchentes estão tendo de usar suas camas como barcos para percorrer as ruas de cidades e aldeias na China. O número de vítimas nesta temporada de chuvas no país subiu para 563.
As chuvas fortes no sul da China fizeram os rios transbordar e provocaram deslizamentos de terra. Segundo a imprensa estatal, só na semana passada houve 97 mortos e 41 desaparecidos.
Como alguns rios ainda estão subindo, as coisas podem piorar, embora em algumas áreas a água já tenha atingido seu pico.
Na cidade industrial de Wuzhou, na região de Guangxi (sul), as casas à beira do rio Xijiang ficaram submersas até o telhado, e os moradores do centro tiveram de se mudar para apartamentos em andares altos. Muitos outros fugiram para terrenos mais elevados, onde se abrigam sob qualquer coisa que encontram.
Em vez de carros, o trânsito na sexta-feira era formado por camas, estantes e portas transformadas em balsas improvisadas. Em meio aos fios elétricos pendurados e ainda energizados, as pessoas buscavam comida e outros gêneros essenciais.
Um morador de Wuzhou disse que o alarme de enchentes parou de soar e que o nível da água está diminuindo. O governo enviou tropas para erguer barreiras com sacos de areia, na tentativa de conter a água.
Mas a situação nas zonas rurais, muitas das quais ainda isoladas, parece ruim. "O governo só resgatou os moradores urbanos. Eles não ligam para as pessoas do interior", disse um idoso chamado Hu Jinhuan.
- Alguns velhos aldeões não aguentam sair de casa, e como não há equipes de resgate aqui, morreram ali mesmo - disse.
Em outra aldeia devastada de Guangxi, Hu Haiyin vasculhava madeiras, peças de computador e outros itens cobertos de lama na sua modesta ex-casa. Muitas casas de barro, como a de Hu, foram totalmente destruídas. O filho dele, de 43 anos, morreu na inundação desta terça-feira.
- Não recebemos nenhum alerta. Estamos torcendo para que os grupos internacionais de assistência nos ajudem, mas eles deveriam nos dar a ajuda diretamente, não por intermédio do governo - afirmou.
Muita gente, como Xu Yin, de 89 anos, viu a água arrastar sua casa e seus pertences e agora está vivendo em tendas nos arredores de aldeias que ainda não foram socorridas pelas equipes de resgate.
Na província de Fujian (leste), 18 pessoas desapareceram quando um ônibus e uma camionete foram arrastados de uma rodovia, na quinta-feira, segundo a imprensa local.
- As enchentes de verão normalmente duram só um dia, mas nesta semana as inundações foram e voltaram cinco vezes. Agora as águas estão começando finalmente a recuar - disse um funcionário do departamento de prevenção de enchentes de Nanping (província de Fujian), por telefone.
Cerca de 1,4 milhão de pessoas tiveram de deixar suas casas em seis províncias do sul, onde as inundações desta semana causaram prejuízos diretos de 11 bilhões de yuans (1,33 bilhão de dólares) e atingiram enormes áreas agrícolas, segundo a agência Xinhua.
Houve inundações moderadas nos Novos Territórios (área do norte de Hong Kong), e Macau está em alerta elevado, pois o rio Pérola deveria transbordar por volta de 12h (hora local) de sexta-feira, de acordo com a agência.
A cada verão, a China sofre simultaneamente com inundações e secas, o que provoca muitas mortes. O desmatamento agrava o problema, pois as chuvas torrenciais provocam deslizamentos nas montanhas sem proteção vegetal.
A falta de árvores nos morros foi um dos fatores que levaram à rápida inundação que devastou uma escola primária da província de Heilongjiang (nordeste) neste mês, matando 117 pessoas, das quais 105 crianças.