Rio de Janeiro, 27 de Setembro de 2026

Enchentes em Bangladesh já mataram 285 pessoas

Milhares de pessoas tiveram que usar barcos nesta segunda-feira em Daca para chegar ao trabalho, devido às inundações que atingem grande parte da capital de Bangladesh e que forçaram 100.000 pessoas a procurar abrigos públicos. (Leia Mais)

Segunda, 26 de Julho de 2004 às 05:36, por: CdB

Milhares de pessoas tiveram que usar barcos nesta segunda-feira em Daca para chegar ao trabalho, devido às inundações que atingem grande parte da capital de Bangladesh e que forçaram 100.000 pessoas a procurar abrigos públicos.

Muitas ruas da cidade de 10 milhões de habitantes estão inundadas, nas piores cheias do país em 15 anos. Cerca de um terço da capital está debaixo d'água e os barcos substituíram os riquixás como principal meio de transporte. "Estou praticamente sem comer há três dias, com meus filhos, pois meu marido não conseguiu trabalho", disse Maleka Begum, mulher de um puxador de riquixá na região de Bashabo.

Trabalhadores e voluntários tentavam conter pequenas brechas no gigantesco dique, chamado DND, usando sacos de areia para tentar evitar que a água transborde. Autoridades da aviação civil disseram que o aeroporto internacional da cidade está a salvo e que o nível das águas em canais e rios ao redor dele está sendo monitorado.

Em outras partes do país, milhares de aldeias estão inundadas e 35 pessoas morreram desde este domingo. Pelo menos 285 pessoas morreram afogadas, ou em consequência de picadas de cobras, acidentes de barcos e desabamentos de casas desde o início das cheias, há três semanas.

Em Bangladesh, as cheias deixaram mais de 10 milhões de pessoas desabrigadas, disseram autoridades. Agências humanitárias encontram muitas dificuldades para levar materiais de ajuda a áreas remotas. Pelo menos 50 vítimas das cheias morreram devido a diarréia e a outras doenças relacionadas à água. Outras 100.000 sofrem com a falta de água limpa e com o colapso do sistema de esgotos.

Mais de dois terços de Bangladesh estão debaixo d'água, disseram autoridades. Essas são as piores enchentes desde 1988, quando 3.500 pessoas morreram. Autoridades prevêem mais chuva para os próximos dias, mas o governo afirma que a situação está sob controle.

"A situação ainda não saiu do nosso controle", disse o Ministro de Controle de Alimentação e Desastres, Chowdhury Kamal Ibne Yusuf. "Estamos tentando lidar com a situação com recursos locais. Temos comida, remédios e outros materiais suficientes para enfrentar qualquer crise humana causada pelas enchentes", disse.

Em muitos lugares não há lugar seco para enterrar ou cremar os mortos, disseram testemunhas.
"Espero que ninguém morra nas cheias. Se isso acontecer, teremos que deixar (os corpos) boiando na água corrente", disse Mohammad Alamgir, morador do distrito de Brahmanbaria, no leste de Bangladesh.  As enchentes já mataram mais de 700 pessoas no Sul da Ásia, incluindo 400 no Estado de Bihar, na Índia.

Tags:
Edições digital e impressa