Um número cada vez maior de empresas está desenvolvendo meios próprios de se proteger contra o terrorismo.
A segurança contra o terrorismo foi a principal preocupação mencionada por empresas em um estudo conduzido pela consultoria de risco Janusian, a construtora Rand e o jornal Financial Times.
O estudo sugere que o temor está mais relacionado com os efeitos indiretos - como a violação de contas bancárias em busca de fundos para financiar grupos extremistas, por exemplo - do que com a possibilidade de ser um alvo.
O especialista em terrorismo e violência política da Universidade de Saint Andrew's Paul Wilkinson explica que a percepção das empresas é de que o esforços do governo não são suficientes para protegê-las.
Recursos próprios
Além disso, muitas empresas têm recursos próprios tão bons ou melhores do que o Estado.
"Grandes companhias, como a Shell, estão envolvidas em uma variedade de atividades que na prática refletem as imagens do que governos de médio porte fazem", afirma Wilkinson.
Muitas empresas têm contatos diretos com o setor público, para obter tanto informações quanto orientações sobre como se proteger.
O MI5, serviço de segurança britânico, até colocou no seu website uma série de recomendações antiterrorismo.
Embora a maioria resvale no bom senso, como controlar o acesso a instalações e proteger seus sistemas de informação, a página foi acessada 3 milhões de vezes por dia.
Na maior parte dos casos, no entanto, as empresas não interferem em áreas sensíveis como defesa.
Nesse caso, elas contratam os serviços de empresas como a Janusian, que incluem desde o fornecimento de um sistema antivírus para computadores à orientação anti-seqüestros para os funcionários da empresa na Ásia Central.
A maioria das empresas delega o trabalho de campo a free-lancers. Há uma rede de ex-soldados, ex-policiais, ex-investigadores e ex-agentes de segurança.
De fato, a própria Janusian tem dois ex-soldados entre os seus diretores, sendo que um deles era um analista dos serviços de inteligência.
Além disso, é comum encontrar ex-agentes de serviços de inteligência comandando a segurança de grandes empresas.
Em princípio, isso não dá acesso a informações classificadas, mas essa rede de contatos ajuda a reputação de empresas como a Janusian.
"É vantajoso para nós sabermos com o governo funciona, e quem é responsável pelas áreas que afetam a nós e a nossos clientes", afirma o diretor da Janusian, David Claridge.
"Obviamente nós mantemos contatos sociais e profissionais com agências de segurança e governo, tudo isso nos ajuda a mantermos ligados nos últimos debates e questões que têm impacto sobre o nosso trabalho."
Com o conflito no Iraque se prolongando, o aumento da procura de grupos extremistas por financiamento e um medo cada vez maior de ataques terroristas, o combate ao terror virou um mercado para o setor privado.