Um projeto inédito pode formalizar centenas de ambulantes em todo o Rio de Janeiro. Desenvolvida por um grupo de grandes empresas, que envolve desde operadora de telefonia até redes de varejo e entidades representativas da capital fluminense, a Rede Ello Empreendedor (Rede de Negócios e Serviços para o Micro e Pequeno Empreendedor) tem por objetivo aproximar o empreendedor, principalmente o informal, de meios eletrônicos de pagamento disponíveis no mercado. O grupo idealizador deverá apresentar o projeto ao Governo do Estado do Rio de Janeiro.
– O Sebrae/RJ faz parte deste projeto porque acredita que quanto mais próximo o empreendedor está dos meios formais de pagamento, mais interesse ele terá para se formalizar – avaliou Cezar Vasquez, diretor do Sebrae/RJ.
O projeto, que está sendo desenvolvido há dois anos, foi apresentado na quarta-feira por Vasquez, no Espaço Sebrae no Congresso de Cartões e Crédito ao Consumidor (C4 2008), em São Paulo. Participaram representantes de grandes instituições financeiras como Bradesco, Banco do Brasil, HSBC, Caixa Econômica Federal, Banco VR, entre outros.
Segundo o diretor do Sebrae/RJ, o grupo organizou cinco comitês setoriais (crédito, capacitação, assistência técnica, comercialização, tecnologia e infra-estrutura) com o objetivo de ampliar o acesso a serviços dos pequenos negócios formais e informais por meio do mercado. O projeto está em fase de formalização de parcerias. O piloto começará em meados de abril do próximo ano com os barraqueiros de praia da Associação do Comércio Legalizado de Praia (Ascolpra).
O objetivo é que por meio de um terminal M-Payment (máquinas de receber cartão) e um celular os ambulantes possam fazer a compra dos produtos com seus fornecedores.
– Os barraqueiros de praia no Rio de Janeiro só têm autorização de vender bebidas e a maioria já faz compras por meio da Ascolpra. Por isso, o processo deverá ser bem mais fácil – disse Vasquez.
Pelo projeto, a rede Ello Empreendedor reunirá em uma mesma plataforma eletrônica empreendedores locais, concessionários de serviços públicos, cadeias varejistas e sistema financeiro, na oferta de produtos e serviços ao consumidor das comunidades. O aspecto financeiro, segundo Vazquez, implica na redução de custos de capital de giro para o empreendedor na medida em que ele se relaciona diretamente com seus fornecedores e com o sistema financeiro, sendo necessariamente ‘bancarizado’ para a liquidação de seus compromissos financeiros.
– O estímulo à formalização se dá em duas vias: a partir da inserção desse empreendedor no sistema financeiro, ampliando a formalização de suas transações financeiras e tornando-o visível para o sistema; a partir do faturamento de suas compras junto ao fornecedor, por meio de nota fiscal eletrônica (NF-e) – afirmou o diretor do Sebrae/RJ.
O projeto poderá ser estendido futuramente para comunidades de baixa-renda com forte densidade comercial, como as favelas da Rocinha, Vidigal, Pavão Pavãozinho e Cantagalo.
Para o gerente da Unidade de Acesso a Serviços Financeiros do Sebrae Nacional, Alexandre Guerra, o projeto do Rio deverá ser apresentado a outras unidades do Sistema Sebrae. Guerra convidou Vasquez a fazer uma apresentação também durante o 7º Seminário Banco Central sobre Microfinanças, que acontecerá no final de setembro, em Minas Gerais.
O Sebrae no Rio de Janeiro em parceria com a Associação do Comércio Legalizado de Praia (Ascolpra) e Praias S/A (associação que congrega os barraqueiros das praias da Zona Oeste) começou este mês a capacitar cerca de 100 barraqueiros que atuam nas praias da Zona Sul e Barra para que desenvolvam habilidades de empreendedorismo, mercado e finanças.
Por meio do curso Aprender a Empreender o objetivo é fazer com que os barraqueiros aprendam a melhorar e gerir seus pequenos negócios. O objetivo do Sebrae/RJ é incentivar a formalização desses empreendimentos.
Pesquisa realizada há cerca de um ano e meio pela entidade identificou que a economia da praia na cidade do Rio, formada por pequenos negócios promovidos entre o calçadão e o mar, movimenta aproximadamente R$ 80 milhões por mês. Somente os ambulantes nas areias giram cerca de R$ 10 milhões a cada fim de semana
Empresários criam projeto para formalizar ambulantes
Sexta, 29 de Agosto de 2008 às 07:24, por: CdB