Representantes do Instituto para Desenvolvimento do Varejo reuniram-se em São Paulo, nesta sexta-feira, com o ministro da Fazenda, Guido Mantega. O objetivo do encontro foi o de estreitar o relacionamento entre o governo e defender a continuidade da redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), responsável pelo aumento das vendas no varejo em 25%. Os maiores empresários do setor compareceram ao encontro, entre eles: Luiza Helena Trajano, do Magazine Luiza, Cláudio Ely, da Drogasil, Jorge Gonçalves, da C&C Casa e Construção, e Pedro Herz, da Livraria Cultura.
Na próxima segunda-feira, o governo deverá anunciar a manutenção dos descontos concedidos no Imposto sobre Produtos Industriais (IPI) para automóveis, eletrodomésticos e material de construção. O objetivo da medida, segundo fonte ouvida pelo Correio do Brasil, em São Paulo, é o de manter em alta as vendas nos setores que concentram o maior número de empregos no país. Para a indústria automobilística, setores do governo levaram ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva uma proposta, aprovada por ele, que combina aumentos gradativos do IPI com a redução no número de modelos que seguirão com alíquotas reduzidas.
– O (ministro da Fazenda, Guido) Mantega tem conversa comigo segunda e depois (será feito) o anúncio de algumas coisas. Não sei o que tem no pacote que ele vai conversar comigo – adiantou, na véspera, o presidente Lula, ao ser perguntado por jornallistas sobre a prorrogação do IPI reduzido para a indústria automobilística.
O governo também pretende manter a medida para os produtos da linha branca (geladeiras, tanquinhos, fogões e máquinas de lavar). O anúncio das novas alíquotas do IPI coincide com o lançamento de um pacote de até R$ 600 milhões para subsidiar os juros de empréstimos feitos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para o setor de máquinas e equipamentos.
O objetivo da medida, segundo o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, é o de desonerar os tributos sobre bens de produção, como forma de a indústria superar a momentânea falta de investimentos. Coutinho acrescentou que o pacote será restrito tanto no tamanho como na duração porque a situação em que se encontra o governo não permite grande ajuda ao setor.
– Existem impactos fiscais que precisam ser calculados. A situação não está fácil. Há uma pressão grande sobre as contas fiscais. É preciso desenhar coisas consistentes – disse aos jornalistas.
Entre os setores beneficiados com o pacote, segundo Coutinho, estão as indústrais que dependem, diretamente, de investimento privado, especialmente os setores que produzem máquinas. Alguns ramos dos bens de capital, porém, não estão passando por dificuldades, afirmou o presidente do BNDES, citando aqueles ligados às "grandes obras viárias" ou à área de petróleo.
– (O pacote) tem que contemplar quem está realmente em dificuldades – disse.