A Polícia Civil de Rondonópolis enviou na última quarta-feira ao Fórum Criminal da cidade o inquérito que investigou as execuções dos irmãos Brandão Araújo Filho e José Carlos Machado Araújo, crimes ocorridos entre 1999 e 2000 na cidade. No relatório final, o delegado Henrique Menegello indicou como mandante o empresário Sérgio Marchetti, um dos maiores produtores rurais do Estado.
Em depoimento prestado aos delegados Henrique Menegello e Jales Batista Silva, em setembro, o cabo Hércules de Araújo Agostinho havia relatado que ele fora o executor e Marchetti, o mandante. Revelou também a participação do sargento José Jesus de Freitas e do ex-policial Célio Alves de Souza.
O primeiro teria intermediado o crime e o segundo, dado apoio logístico. Pela empreitada, Hércules recebeu R$ 5 mil.
- Não será possível saber quanto Célio e Jesus receberam. Um porque está morto e outro porque negou a participação no crime - disse Jales Silva, que é delegado regional. Jesus foi assassinado em abril do último ano.
O relatório final cita ainda o capitão da PM Marcos Divino e Mônica Marchetti, filha do empresário.
O inquérito foi concluído sem que o delegado responsável anexasse o laudo da reconstituição feita em outubro. Segundo Jales Silva, a reconstituição foi muito trabalhosa e os peritos estariam tendo dificuldade em elaborar o relatório final.
- Há réus presos e nosso prazo já estava esgotado. Por isso enviamos sem o relatório - disse o delegado
Contra o empresário pesa, além da confissão de Hércules, uma gravação realizada pela Delegacia de Homicídios de Cuiabá, com autorização judicial, em que um dos interlocutores, ligado a Marchetti, revela o nome do mandante. Marchetti também travava com José Carlos uma batalha judicial em decorrência de desacordo em uma negociação de terras.
- O caso já estava em Brasília e tudo levava a crer que o José Carlos ganharia - disse Jales Silva.
O delegado Henrique Meneguello chegou a pedir a prisão preventiva de Marchetti no decorrer das investigações, mas o pleito foi negado pelo juiz Pedro Pereira Campos, que alegou falta de provas.
A reportagem não conseguiu localizar Sérgio Marchetti na quinta à noite, pois ele estaria morando na Bolívia, onde planta soja. Mas telefonou no escritório e na casa de seu advogado Ildo Guareschi, sem sucesso. A pessoa que atendeu o telefone em sua casa anotou o recado e prometeu que ele ligaria logo que chegasse, o que não aconteceu até o fechamento dessa edição. Marchetti foi ouvido em inquérito e negou qualquer participação nos dois assassinatos.
Empresário do Mato Grosso é acusado de assassinato
Quinta, 06 de Novembro de 2003 às 02:44, por: CdB