O presidente do Grupo Gerdau, Jorge Gerdau Johannpeter, disse nesta terça-feira que o governo brasileiro precisa rever a legislação tributária para que o país possa competir de forma mais "justa" no cenário mundial. Segundo ele, a legislação tributária brasileira, por estar desatualizada, tem atrasado o desenvolvimento do país.
- Se a gente olha o cenário mundial, vê que a nossa legislação tributária é atrasada em relação ao cenário da competição internacional. Conseqüentemente, o Brasil está perdendo tempo e momentos preciosos - afirmou.
Gerdau também criticou as constantes altas de juros e aconselhou uma análise, por parte do governo federal, das causas que têm pressionando a inflação. Segundo o empresário, os juros reais no Brasil são "absurdos" e têm prejudicado as atividades econômicas brasileiras.
- Os números inflacionários do Brasil são relativamente altos quando comparados com outros países. Cabe uma análise mais profunda de quais são as causas que continuam pressionando a inflação - sugeriu.
O empresário defendeu a ampliação da representatividade no Conselho Monetário Nacional, mas afirmou que o processo de análise do Conselho tem que continuar a ser técnico e não político.
- O problema do dinheiro é muito sério. O Conselho Monetário Nacional, e conseqüentemente o Banco Central, são os xerifes do dinheiro. E a gente sabe que se não houver um cuidado enorme no que concerne à inflação os maiores prejudicados serão os mais pobres - afirmou.
Para Jorge Gerdau Johannpeter, o maior problema que o Brasil pode ter é o retorno à inflação, mas o governo Lula tem sido eficiente no que se refere à política econômica, embora sejam necessárias melhorias na área de gestão de custos e despesas:
- Ninguém é plenamente eficiente numa área ou em todas as áreas. Na política econômica, na questão da credibilidade, o governo tem trabalho com eficiências elevadas. Mas no que concerce à área de custo do governo, tem que ser atacada com mais eficiência.
Ele defendeu que cada vez mais o empresário, junto com o governo, busquem eficiência e competitividade:
- O sucesso do país passa por uma eficiência global que depende não só do governo nem só do empresário. Temos que trabalhar juntos nessa máquina de busca da eficiência.
O Grupo Gerdau fechou contrato com empresas chinesas para a compra de R$ 650 milhões em equipamentos industriais para ampliar a sua maior usina siderúrgica nas Américas, a Gerdau Açominas, localizada em Ouro Branco (MG).
O investimento representa, segundo o presidente do Grupo, cerca de 21% do total de R$ 3 bilhões programado para a expansão da unidade até 2007, quando a capacidade de produção passará de 3 milhões de toneladas de aço para 4,5 milhões. A cerimônia oficial da assinatura do acordo foi realizada no Palácio do Planalto, com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Empresário defende revisão da legislação tributária
Terça, 03 de Maio de 2005 às 17:03, por: CdB