Rio de Janeiro, 20 de Maio de 2026

Empresário confirma à CPI dos Correios que gravou Marinho

Em depoimento prestado à CPI dos Correios nesta quinta-feira, o empresário Artur Wascheck centrou no funcionário da estatal Maurício Marinho a responsabilidade pelo suposto esquema de corrupção na estatal. (Leia Mais)

Quinta, 23 de Junho de 2005 às 19:03, por: CdB

Em depoimento prestado à CPI dos Correios nesta quinta-feira, o empresário Artur Wascheck centrou no funcionário da estatal Maurício Marinho a responsabilidade pelo suposto esquema de corrupção na estatal.

Foi Wascheck quem encomendou a arapongas a gravação em que Marinho recebe 3 mil reais de propina e diz agir sob o comando do deputado Roberto Jefferson (RJ), então presidente do PTB.

A divulgação da gravação foi feita pela revista Veja em 14 de maio, o que levou à instalação da CPI para investigar as irregularidades.

O segundo depoente do dia, sócio de Wascheck na empresa Coman, acabou revelando mais que o colega.

Disse que Arlindo Molina, oficial reformado da Marinha acusado por Jefferson de tentar extorqui-lo antes de a fita vir a público, recebeu um empréstimo de 20 ou 27 mil reais de Wascheck, que teria usado o dinheiro da empresa alegando ajudar o amigo que estava em dificuldades financeiras.

Durante seu testemunho de cerca de cinco horas à CPI, Artur Wascheck afirmou ser amigo pessoal de Molina e também indicou que o ex-oficial tinha relações próximas com Jefferson, mas evitou envolver o parlamentar no suposto esquema de propina.

Em depoimento à Polícia Federal, Jefferson negou essa ligação, mas disse que ficou sabendo da existência da gravação por Molina, em 3 de maio.

Nas palavras de Jefferson, o encontro só ocorreu porque o senador Ney Suassuna (PMDN-PB) havia pedido para que o parlamentar o recebesse.

- Eu pedi que Molina fosse (falar da fita) porque avaliei que ele tinha trânsito com o deputado Roberto Jefferson. Quis mostrar para Osório (Antonio Osório, diretor de Administração dos Correios) e para o Jefferson o que Marinho estava fazendo - disse Wascheck.

O empresário garantiu que a intenção não era vazar o conteúdo da fita à imprensa. Ele atribui o vazamento da fita a Jairo Martins, suposto jornalista contratado por ele para alugar uma maleta executiva com uma câmera acoplada. Um dos arapongas que gravou a conversa com Marinho é Joel Santos Filho, amigo de Wascheck.

VINGANÇA COMERCIAL

O motivo de querer derrubar Marinho era comercial. Segundo o empresário, o funcionário estava criando dificuldades em negócios com a estatal em detrimento de uma concorrente, a empresa Protelyni Calçados, que seria privilegiada por Maurício Marinho.

Em 2002, a Coman atrasou uma entrega de calçados e uniformes para carteiros e foi multada em 1 milhão de reais. Marinho não quis suavizar a multa.

A hipótese defendida por membros da CPI, principalmente pelos governistas, é de que Molina é a ponte entre Jefferson e Wascheck.

- Não posso afirmar que isso é assim. Mas essa tese é plausível e mostra que Roberto Jefferson e Marinho têm proximidade muito grande - afirmou o deputado José Eduardo Cardozo (PT-SP), membro da CPI.

Artur Wascheck negou ter sido favorecido em contratos que firmou com os Correios, e não repetiu o tom do depoimento de Marinho, quando este levantou, sem provas, suspeitas em relação a contratos ligados à área de tecnologia, diretoria comandada pelo PT. Wascheck, no entanto, reconheceu que a diretoria é a mais cobiçada pelas empresas fornecedoras, em função dos altos preços dos contratos.

- Sou apartidário, não participo de filé mignon... O filé mignon dos Correios são a diretorias de Tecnologia e de Operações, que mandam nos negócios mais importantes - disse Wascheck.

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