Rio de Janeiro, 02 de Setembro de 2026

Empresário confessa ter procurado campanha de Serra antes de denunciar Erenice

Presidente do PT, Eduardo Dutra pediu à Polícia Federal que apure todas as acusações divulgadas pelo empresário Rubnei Quícoli no diário conservador paulistano Folha de S. Paulo e na página eletrônica do diário conservador carioca O Globo.

Sexta, 17 de Setembro de 2010 às 13:05, por: CdB
Presidente do PT, Eduardo Dutra pediu à Polícia Federal que apure todas as acusações divulgadas pelo empresário Rubnei Quícoli no diário conservador paulistano Folha de S. Paulo e na página eletrônica do diário conservador carioca O Globo. – Temos absoluta convicção que esta é (mais) uma clara tentativa de forjar um envolvimento do PT e da campanha. Por isso, pediremos ao diretor da Polícia Federal abertura de inquérito; entraremos com representação criminal por dano e calúnia, além de ação civil reparatória – adiantou Dutra. Até o momento, o partido já abriu o pedido de abertura de inquérito na Polícia Federal, sobre as denúncias de Quicoli, além de uma representação criminal na Justiça Eleitoral de São Paulo e no Ministério Público Eleitoral de São Paulo - para apurar calúnia e difamação. A terceira ação é uma Indenizatória, por danos morais a ser proposta em Brasília pelo PT. O petista diz não admitir que ninguém, “principalmente, com a folha corrida deste cidadão, fale pela campanha”. Segundo Dutra, somente o tesoureiro da campanha de Dilma está autorizado a tratar de contribuições financeiras. Dutra acrescentou, em conversa com jornalistas, que não cabe a ele fazer juízo de valor sobre a renúncia da ministra-chefe da Casa Civil, Erenice Guerra. – Ela preferiu sair do cargo para se defender tranquilamente e para que não fosse acusada de usar sua função na defesa – ponderou o presidente do PT. Dutra lamentou que a oposição “paute sua campanha pelos ataques”, ao invés de apresentar projetos para o Brasil. Folha corrida O diário conservador eletrônico das Organizações Globo divulgou, nesta quinta-feira, que o empresário Rubnei Quícoli, de posse de uma proposta de contrato apresentado pela empresa Capital Consultoria (da qual participam parentes da ex-ministra Erenice Guerra), o empresário Rubnei Quícoli passou a ameaçar Vinícius de Oliveira Castro, então assessor da Casa Civil, de divulgar o documento caso não conseguisse viabilizar o empréstimo negado pelo BNDES. – É incrível como as denúncias de um ex-presidiário (Rubnei Quícoli), processado por receptação de carga roubada e falsificação de dinheiro, mereçam toda a credibilidade da mídia e o que nós dissemos, não – acrescentou Dutra a jornalistas. Dutra refere-se à folha corrida do denunciante, personagem principal da denúncia publicada pela Folha contra a ex-ministra Erenice Guerra. Fonte na Polícia Civil paulistana informou, com exclusividade para o Correio do Brasil, que uma das linhas de investigação da Polícia Federal no Estado será a apuração de indícios que Quícoli teria ligações com a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), na compra de cargas roubadas. Quícoli teria entrado em contato com o PCC durante os 10 meses que passou na cadeia, cumprindo pena determinada pela juíza Carla dos Santos Fullin Gomes, da 3ª Vara Criminal da Comarca de Campinas (SP). Ainda segundo O Globo, o denunciante passou a pressionar os sócios da Capital "na reta final das eleições, numa sucessão de e-mails enviados ao ex-assessor e outros interlocutores, entre janeiro e fevereiro, o empresário deixa claro que o escândalo era um barril de pólvora prestes a se incendiar". Desde garoto Nos e-mails enviados por Quícoli, ele avisa aos donos da Capital que havia marcado encontro com jornalistas da Folha de S. Paulo, onde sua versão encontrou eco, e com "o Serra", em uma referência à campanha do candidato tucano à Presidência da República, José Serra. Quícoli negou um possível encontro com os coordenadores da campanha tucana, mas confessou em entrevista sua simpatia pelo PSDB desde garoto. – Eu, quando garoto, com uns 20 anos, pertenci ao PDT e PSDB. Houve filiação, mas não sei se foi concretizada via cartório – lembra. A EDRB do Brasil, que trabalha em projetos de geração de energia solar, informou nesta tarde que Rubnei Quícoli "não responde legalmente pela empresa, nem está habilitado a fazer declarações em seu nome". Em nota, os sócios empresa afirmam que a vinculação de Quícoli "é ao projeto". O texto é subscrito por Aldo Wagner, diretor técnico, e Marcelo Escarlassara, diretor comercial: "A atuação do sr. Quícoli é autônoma, cabendo a si a responsabilidade pelas informações". A empresa afirma que Quícoli "não tem relação de emprego, de prestação de serviços ou de sociedade". O senador Hélio Costa (PMDB), candidato ao governo de Minas Gerais, também citado por Quícoli, repeliu "a tentativa de um indivíduo de reputação comprometida por envolvimento com roubo de carga e receptação de dinheiro falso de envolver seu nome e o de Dilma numa denúncia caluniosa". Costa afirmou que vai "processar o caluniador". Em uma série de mensagens eletrônicas, o empresário fixou o dia 2 de fevereiro para que a empresa obtivesse o empréstimo bilionário junto ao BNDES. Entre os e-mails enviados, Quícoli cita o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, como co-participante no projeto que a empresa EDRB apresentou ao Banco e com o qual esperava levantar um "empréstimo de R$ 9 bilhões para criar uma central de energia solar no Nordeste". Em nota, o BNDES não só desmentiu, na véspera, que a proposta tenha circulado dentro do Banco, por ter sido descartada logo no início, ainda na fase do protocolo, como corrige os valores citados de R$ 9 bilhões para R$ 2,4 bilhões. "Derrubo o Coutinho e muita gente ao redor dessa Casa Civil e BNDES", escreve a fonte da Folha. E acrescenta: "Cabeças irão rolar... isso eu GARANTIUUUU (sic)". Leia aqui, na íntegra, do Comunicado do BNDES sobre o caso: "Em função de reportagem publicada na edição desta quinta-feira, 16 de setembro, do jornal Folha de S. Paulo, o BNDES vem a público declarar que: "Repudiamos a insinuação de que o Banco poderia estar envolvido em um suposto esquema de favorecimento para a obtenção de empréstimos junto à instituição e consideramos que a tese demonstra um total desconhecimento quanto ao funcionamento do BNDES. O projeto em questão foi rejeitado pelo Comitê de Enquadramento e Crédito do BNDES, órgão interno do Banco, formado por seus superintendentes. A aprovação por esse colegiado é condição básica e necessária para que qualquer pedido de apoio financeiro seja encaminhado para análise. "Na reunião semanal do Comitê ocorrida em 29 de março deste ano — e na qual o projeto em questão foi apenas um dos itens discutidos —, o pedido foi negado. A decisão foi tomada pelos 14 superintendentes presentes à reunião, todos funcionários de carreira da instituição. "O projeto da EDRB foi encaminhado ao BNDES por meio de carta-consulta, solicitando R$ 2,25 bilhões (e não R$ 9 bilhões como afirma a reportagem) para a construção de um parque de energia solar. O BNDES considerou que o montante solicitado era incompatível com o porte da referida empresa. Além disso, a companhia não apresentou garantias e não havia local definido para a instalação do empreendimento (essencial para o licenciamento ambiental), não atendendo, portanto, a pré-requisitos básicos para a concessão do crédito. "Qualquer aprovação de financiamento pelo BNDES passa por um processo de análise que envolve mais de 30 técnicos de carreira da instituição, além da consulta à Diretoria do Banco. Esse rigor técnico tem como consequência um índice de inadimplência de 0,2%, muito inferior à média do sistema financeiro brasileiro, público e privado".
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