Uma empresa contratada pelo Pentágono que pagou para jornais iraquianos publicarem artigos positivos sobre os Estados Unidos também compensou estudiosos sunitas no Iraque por ajuda com propaganda, disse nesta segunda-feira uma reportagem do jornal The New York Times. O jornal, citando um ex-funcionários do Lincoln Group, firma de relações públicas com sede em Washington, disse que o Pentágono orientou a empresa, em 2005, a identificar líderes religiosos que poderiam ajudar a produzir mensagens que convencessem os sunitas da violenta província de Anbar a participar das eleições nacionais e rejeitar a insurgência. A empresa conseguiu três ou quatro religiosos sunitas para oferecer conselhos e escrever relatórios para lideranças militares sobre o conteúdo das campanhas de propaganda, disse o Times, citando o ex-funcionário. A reportagem diz também que documentos e executivos da Lincoln afirmaram que as relações da empresa com líderes religiosos e outros iraquianos proeminentes tinham como objetivo exercer influência dentro das comunidades iraquianas para beneficiar os clientes, entre eles os militares dos EUA. Segundo o jornal, o vice-presidente-executivo da Lincoln disse:
- Nós fazemos contatos com clérigos.
Segundo Paig Craig, se encontraram "com autoridades do governo local e com empresários locais".
- Precisamos ter relações que sejam amplas o suficiente e profundas o suficiente para que possamos tocar todos os vários aspectos da sociedade. A maioria das pessoas com quem nos encontramos no exterior não quer, ou não precisa de recompensa, eles querem um diálogo - disse ele.
Craig recusou-se a debater projetos específicos da companhia com o Exército ou com clientes comerciais, disse o Times. Segundo o jornal, registros financeiros da empresa mostram que a Lincoln gastou cerca de 144.000 dólares no programa de maio a setembro, mas não ficou claro o quanto foi gasto com religiosos. As identidades dos religiosos não foram reveladas. O valor é apenas uma pequena parcela das dezenas de milhões dos contratos que a Lincoln recebeu dos militares por "operações de informação". O ex-funcionário da Lincoln, que falou com a condição de manter o anonimato, disse que os religiosos passaram por um processo de análise antes de entrar no programa para garantir que não estavam envolvidos na insurgência. Um porta-voz dos militares dos EUA em Bagdá recusou-se a comentar a reportagem.
O Pentágono ordenou uma investigação depois da revelação, em novembro, de que os militares usaram a Lincoln para plantar artigos escritos por soldados dos EUA em jornais iraquianos. Os pagamentos aos religiosos eram parte de um contrato original da Lincoln para ajudar os militares com informações de guerra na Província de Anbar, disse o Times. Conhecido como "Missões do Oeste", o contrato também previa a produção de propagandas de rádio e televisão, sites e cartazes, além de publicação de artigos em meios iraquianos. Em outubro, a Lincoln ganhou um novo contrato do Pentágono no Iraque, incluindo a continuidade dos contatos com os religiosos. Os registros também mostram que a Lincoln usou estudiosos dos EUA e consultores políticos para fonecer conselhos sobre o conteúdo da campanha de propaganda no Iraque, disse o Times.