O emprego na zona do euro se estabilizou nos primeiros três meses do ano após quedas nos trimestres anteriores, em sinal de que a recuperação econômica pôde finalmente ter efeito sobre o mercado de trabalho europeu. O emprego nos 16 países que usam o euro se manteve no primeiro trimestre frente aos três meses anteriores, e a contração em termos anuais desacelerou para 1,2%, de 2% no último trimestre de 2009.
Já a confiança dos investidores e dos analistas da Alemanha, país mais rico da europa, diminuiu bem mais que o esperado em junho, segundo pesquisa do instituto econômico ZEW divulgada nesta terça-feira. O indicador caiu para 28,7 neste mês, comparado a 45,8 em maio. Analistas consultados pela agência inglesa de notícias Reuters previam leitura de 42.
O componente de condições atuais aumentou para menos 7,9 em junho, comparado a menos 21,6 no mês passado e previsão do mercado de menos 15. A pesquisa foi feita com 279 analistas e investidores entre 31 de maio e 14 de junho.
Apoio da oposição
Presidente da oposição social-democrata alemã (SPD), Sigmar Gabriel ofereceu a colaboração de seu partido à coalizão de governo dirigida por Angela Merkel para enfrentar a crise econômica e colocar em prática as medidas necessárias de economia. Após comentar que sua formação não tem intenção de realizar uma política de bloqueio no Bundesrat, a câmara alta alemã, Gabriel ressalta: "de nenhuma maneira queremos uma grande coalizão, mas somos conscientes da gravidade da situação".
– Sem uma grande coalizão também pode ser alcançado um pacto para abordar as questões centrais para nosso país – afirma o líder do SPD em declarações publicadas nesta terça pelo jornal econômico Handelsblatt.
Gabriel comenta que seu partido aposta em primeiro lugar em uma redução das subvenções, com a qual "sem problemas poderiam ser economizados até 10 bilhões de euro por ano". Além disso, é proposta a eliminação da redução do IVA aos hotéis e, apesar das necessidades de poupança, reforçar os investimentos, taxando com dois e até três pontos suplementares os impostos para as classes mais endinheiradas.
Crise grega
O pessimismo dos economistas alemães somou-se, nesta terça-feira, à decisão da Moody's da reduzir o rating da Grécia. A atitude da instituição, no entanto, foi considerada "imprudente e inoportuna", segundo Olli Rehn, comissário para Assuntos Econômicos e Monetários da União Europeia. Ele acrescentou que a medida gera novas dúvidas sobre as agências de classificação de crédito.
Rehn disse que o rebaixamento não levou em conta os últimos acontecimentos na Grécia, com Atenas recentemente concordando com a austeridade fiscal em troca de um enorme resgate da UE e do Fundo Monetário Internacional (FMI).
– A decisão da Moody's veio em um momento um tanto surpreendente e infeliz – disse Rehn em um debate no Parlamento Europeu.
Na segunda-feira, a Moody's rebaixou a nota de crédito da Grécia em quatro pontos, de "A3" para "Ba1". Foi a segunda agência de classificação de risco a mudar o crédito da República Helênica para fora do grau de investimento.
– A decisão da Moody's não leva de forma alguma em consideração os compromissos gregos ou as consequências negativas, que foram reduzidas consideravelmente após a adoção do programa (de resgate) – disse Rehn.