Rio de Janeiro, 27 de Setembro de 2026

Emprego na indústria segue em alta mas em níveis abaixo do ano passado

O emprego na indústria brasileira diminuiu em maio frente ao mês anterior pela oitava vez seguida, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira. O recuo ante abril foi de 0,5%. Em relação a maio de 2008, o emprego caiu 6,0% e renovou "a menor taxa da série iniciada em 2001", segundo o IBGE. (Leia Mais)

Sexta, 10 de Julho de 2009 às 08:27, por: CdB

O emprego na indústria brasileira diminuiu em maio frente ao mês anterior pela oitava vez seguida, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira. O recuo ante abril foi de 0,5%. Em relação a maio de 2008, o emprego caiu 6,0% e renovou "a menor taxa da série iniciada em 2001", segundo o IBGE. No ano, o nível de emprego acumula queda de 4,7%. O índice de média móvel trimestral, considerado menos volátil, teve a sétima taxa negativa, de 0,7%, "porém com queda menos acentuada que nos meses anteriores".

Em relação a maio do ano passado, a queda foi generalizada, atingindo os 14 locais e 17 dos 18 setores pesquisados. São Paulo (com queda de 4,5%), Minas Gerais (com redução de 8,5%) e região Norte e Centro-Oeste (com baixa de 9,6%) exerceram as pressões negativas mais significativas. Em termos setoriais, os principais destaques negativos na média global vieram de Vestuário, Meios de transporte, Produtos de metal e Máquinas e equipamentos. Papel e gráfica, por outro lado, foi o único setor com impacto positivo.

O IBGE informou ainda que o número de horas pagas na indústria declinou 1,1% em maio ante abril, também o oitavo mês de baixa. Ante maio do ano passado, o declínio foi de 6,7%. Já o valor da folha de pagamento real, após dois meses de queda, avançou 1,9% em relação a abril. O dado foi "influenciado pelo pagamento de participações nos lucros na indústria extrativa", disse o IBGE.

Frente ao mesmo período do ano passado, a folha recuou 0,6%

Algodão

Em outro front, a crise internacional afetou o setor algodoeiro no Brasil, que sofreu uma redução de 23% na área plantada este ano e vai perder cerca de 400 mil toneladas na produção em relação a 2008.

– Pelo menos metade dessa redução é em função da crise e a outra metade em função da queda da produção brasileira – disse a jornalistas o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), Haroldo Cunha.

Ele afirmou que o setor está sobrevivendo graças a algumas iniciativas para redução de custos e ao apoio governamental na comercialização. Não há, segundo Cunha, perspectivas de recuperação para a próxima safra, uma vez que a crise externa tem efeitos negativos sobre o consumo de têxteis e isso acaba afetando o preço do algodão.

– Nós temos que trabalhar para criar um cenário favorável e voltar a expandir em 2011 – destacou.

No comércio exterior, as perspectivas são de vendas em torno de 400 mil toneladas este ano, contra 530 mil toneladas no ano passado.

– Não caem muito porque as exportações são definidas com um ano ou dois de antecedência – explicou o presidente da Abrapa.

A maior preocupação é com o que ocorrerá em 2010. Cunha afirmou que esse cenário vai depender de alguns fatores que estarão definidos até outubro e que irão mostrar a área a ser plantada, a participação dos produtores nas exportações e os contratos que vão ser feitos.

A expectativa da Abrapa para a atual safra é de cerca de 850 mil hectares plantados, com 1,2 milhão de toneladas. Os números apresentam redução em relação à safra anterior, que atingiu  área plantada de 1,077 milhão de hectares, com produção de 1,6 milhão de toneladas. Confirmam também perda de produtividade em alguns estados, como a Bahia.

Cunha informou que, a curto prazo, uma iniciativa que está sendo testada este ano para reduzir o custo da produção é o plantio do algodão adensado, ou seja, o cultivo de um número maior de pés de algodão em menor espaço.  “Consiste em dobrar a população de algodão por hectare. Com isso, a gente reduz o ciclo da cultura. E, dessa maneira, você vai reduzir não só fertilizantes, mas também os defensivos que são aplicados”.

A médio prazo, a Abrapa está trabalhando em um programa para controle do bicudo (praga de maior incidência na cultura do algodão), que reduziria o número de pulverizações durante o ano. Outra alternativa está relacionada à aprovação de transgênicos. O Brasil é atualmente o quarto maior exportador mundial de algodão e o quinto maior produtor. Os países africanos ocupam, em conjunto, a quarta posição no ranking internacional de produtores de algodão.

Tags:
Edições digital e impressa